21 de junho de 2026

Justiça decide que ‘privilegiados’ que furaram fila de vacina não terão direito à 2ª dose

Justiça decide que ‘privilegiados’ que furaram fila de vacina não terão direito à 2ª dose
MARICA, BRAZIL - JANUARY 20: Nurse Rosane das Neves draws the CoronaVac vaccine from a vial during a Covid-19 vaccination campaign at the Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Ovy Porã) on January 20, 2021 in Marica, Brazil. Rosane das Neves works at the village medical unit and received her vaccine dose in front of the indigenous to convey confidence. The state of Rio de Janeiro will immunize with the first vaccine shipment Health workers, institutionalized people aged 60 or over, Indigenous and quilombolas on their own land and institutionalized people with disabilities. The CoronaVac vaccine was developed by the Chinese laboratory Sinovac in partnership with the Butantan Institute. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

 

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A Justiça Federal determinou que quem furou fila da vacinação contra a Covid-19 não terá direito à 2ª dose no Amazonas. A vacinação contra Covid ficou suspensa em Manaus, para um replanejamento depois de denúncias de “fura-fila”.

A decisão foi assinada pela juíza Jaiza Maria Pinto Fraxe, na noite desse sábado (23). De acordo com ela, as pessoas que tomaram a 1ª dose de forma indevida podem ser presas em flagrante caso tomem a 2ª dose antes da chegada do grupo em que se enquadram.

A juíza também determinou que a Prefeitura de Manaus informe, todos os dias até as 22h, a relação das pessoas vacinadas contra a Covid na cidade. A lista deve conter o nome, CPF e profissão das pessoas vacinadas até as 19h do dia, além do local onde a aplicação ocorreu. A multa diária em caso de descumprimento será de R$ 100 mil.

“O juízo não aceitará desculpas de qualquer privilegiado e […] desde já fica consignado que quem ‘furou a fila’ não terá o direito de receber a 2ª dose, até que chegue a sua vez, sem prejuízo de indenização à coletividade que foi lesada pelo artifício imoral e antiético”, disse a juíza em trecho da decisão.

A juíza apontou que, entre as pessoas que não deveriam ter recebido a vacina, estão quatro estudantes da área da Saúde cumprindo internato em hospitais públicos, dois advogados e um casal proprietário de uma empresa de alimentos.

A juíza também disse que a secretária Municipal de Saúde, Shádia Fraxe, e seu subsecretário, não têm direito à vacina se não estiverem efetivamente na linha de frente de combate à Covid, e ressalta que “visitar unidades de saúde não é estar na linha de frente”. Os dois terão de apresentar justificativa por terem tomado a primeira dose.

O G1 questionou a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) sobre a decisão e não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Confusão e falta de informação

A aplicação do imunizante foi suspensa na quinta-feira (21) para reformulação dos procedimentos, depois de denúncias de irregularidades de vacinações em profissionais de saúde fora do grupo prioritário.

A prefeitura informou no sábado (23) que a vacinação havia sido retomada. Em nota, o órgão informou que, na sexta-feira, fez a imunização em 6 unidades, o que totalizavam 277 doses aplicadas, além da vacinação no HPS 28 de Agosto para cumprimento de decisão judicial.

Denúncias de pessoas furando a fila na prioridade da vacinação são apuradas pelo Ministério Público e Tribunal de Contas. Para o prefeito de Manaus, David Almeida, as denúncias são fake news.

 

G1