3 de junho de 2026

Após revés no DEM, Maia diz que pode abrir impeachment contra Bolsonaro

Após revés no DEM, Maia diz que pode abrir impeachment contra Bolsonaro

Ao ser informado que o seu partido, o DEM, deixaria o bloco de Baleia Rossi (MDB-SP) na disputa pelo comando da Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (RJ), disse neste domingo que poderia abrir um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Maia deixa o cargo nesta segunda-feira e tem 64 pedidos de afastamento a espera de deliberação.

A informação foi publicada na noite deste domingo pelo G1 e confirmada ao GLOBO por parlamentares que presenciaram o diálogo.

Maia foi informado pelo presidente do DEM, ACM Neto, que havia apoio suficiente para o partido aderir ao candidato adversário de Rossi, Arthur Lira (PP-AL). Mais tarde, na sede do partido, a Executiva do DEM ratificou a decisão de abandonar o emedebista.

O DEM, no entanto, ficará independente, sem apoiar qualquer candidato oficialmente.

Segundo um deputado que estava na reunião, em um momento tenso, Maia disse que não aceitaria a interferência do governo no próprio partido. Ele chegou a dizer que não teria outra opção, a não ser abrir um dos processos de impeachment que estão em sua mesa contra Bolsonaro.

De acordo com outro deputado, Maia argumentou que não veria o governo “comprar” colegas de partido, ao oferecer fatias do orçamento e verba às bases de deputados, sem fazer nada. Indicou que isso seria crime de responsabilidade.

Deputados de oposição também reagiram e incentivaram, segundo um dos relatos, que Maia abrisse logo todos os processos de impeachment, “para dar mais trabalho ao governo”.

Oposicionistas também prometeram retaliar a candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no Senado. Na reunião, o PT e o PDT cogitaram retirar seu apoio.

Deputados do DEM que estavam na reunião disseram ao GLOBO que não acreditam que Maia abrirá o processo. Um deles diz que Maia “perderia qualquer credibilidade” ao dar prosseguimento em circunstância como essa.

Um outro parlamentar de oposição entende que o gesto foi um “desabafo”.

O Globo

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