A bola da Copa do Mundo de 2026 não será apenas o centro das atenções dentro de campo. Equipada com um sistema tecnológico avançado, ela também desempenhará um papel importante nas decisões da arbitragem. Desenvolvida pela Adidas para o torneio, a Trionda conta com um sensor interno capaz de registrar informações 500 vezes por segundo e transmitir os dados em tempo real para o sistema de videoarbitragem.
O equipamento faz parte de uma estrutura criada pela Fifa para tornar as análises mais precisas em lances decisivos. Antes de entrar em campo, a bola precisa ser carregada por indução para alimentar o sensor responsável por monitorar seus movimentos durante toda a partida.
Veja as fotosAbrir em tela cheia “Trionda” é apresentada como bola oficial da Copa do Mundo de 2026Reprodução: X/@adidasfootball “Trionda” é apresentada como bola oficial da Copa do Mundo de 2026Reprodução: X/@adidasfootball Lionel Messi e Lamine YamalReprodução/X: @adidasfootball
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A tecnologia foi projetada para auxiliar especialmente em situações de impedimento. Um dos desafios históricos da arbitragem é identificar exatamente o momento em que um jogador realiza o passe. Dependendo apenas das imagens captadas pelas câmeras, a definição desse instante pode sofrer limitações técnicas relacionadas à quantidade de quadros gravados por segundo.
Com o sensor operando em uma frequência de 500 registros por segundo, o sistema consegue determinar com maior exatidão o instante do contato entre o atleta e a bola. A partir dessa informação, os dados são enviados imediatamente para a sala do VAR, permitindo uma análise mais rápida e precisa.
O dispositivo utilizado é uma Unidade de Medição Inercial (IMU), instalada no interior da bola. O sensor acompanha aceleração, velocidade, direção e deslocamento em três dimensões, produzindo uma leitura detalhada de cada movimento realizado durante o jogo.
O funcionamento não depende apenas da bola conectada. A tecnologia é integrada a uma rede de 16 câmeras distribuídas ao redor do estádio. Esses equipamentos monitoram simultaneamente atletas e bola, coletando até 29 pontos de dados de cada jogador 50 vezes por segundo.
As informações captadas são processadas por sistemas de inteligência artificial, responsáveis por gerar alertas automáticos para a equipe do VAR quando identificam possíveis irregularidades. Além dos impedimentos, o recurso também auxilia na análise de toques de mão, desvios sutis e outras situações em que o contato com a bola pode ser determinante para a decisão da arbitragem.
Mesmo com todo o suporte tecnológico, a palavra final continua sendo do árbitro em campo. O sistema funciona como uma ferramenta de apoio para aumentar a precisão das análises e reduzir margens de erro em lances complexos.
Antes de ser implementada nas principais competições da entidade, a tecnologia passou por testes realizados entre 2020 e 2022. Desde então, a Fifa adotou protocolos de verificação para garantir o funcionamento adequado dos sensores e da integração com os demais sistemas utilizados nas partidas.
Segundo a entidade, o equipamento não altera o comportamento da bola. O sensor possui peso reduzido e foi desenvolvido para não interferir no equilíbrio, na trajetória ou na dinâmica do jogo.
A tecnologia já vem sendo utilizada em competições organizadas pela Fifa, como a Copa do Mundo, a Copa do Mundo Feminina, a Copa do Mundo de Clubes, a Copa Intercontinental e a Copa dos Campeões Feminina. Além de auxiliar a arbitragem, os dados gerados também alimentam gráficos, animações tridimensionais e recursos utilizados nas transmissões para ajudar o público a compreender melhor os lances.



