18 junho 2024

Ação truculenta contra garis derrubou de vez a máscara de bom velhinho de Tião Bocalom

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Por Angélica Paiva, do NH

A decisão de colocar a tropa de choque da polícia militar contra os garis, derrubou de vez a máscara de bom velhinho do prefeito Tião Bocalom (PP) e a face por trás da máscara surge com um desenho autoritário e cruel. Bocalom é defensor do trabalho durante a pandemia. Esquece o prefeito que o trabalhador não trabalha por hobby, o faz por necessidade. Vende sua força de trabalho, seu tempo, sua energia, por um salário insuficiente para sua sobrevivência digna. Trabalho sem remuneração é escravidão e esta foi abolida em 1888. Usar a força do Estado contra trabalhadores desesperados por falta de pagamento soa como uma confissão de incompetência.

Triste ver trabalhadores fardados investirem contra trabalhadores civis que pedem o pagamento atrasado há dois meses, para defender a suposta “ordem” numa gestão em que o prefeito passa mais tempo nos ares do que em terra. Anos atrás, acompanhei a recusa do Coronel Hid em dar ordem à sua tropa para derrubar barracos em uma ocupação. Estava ao lado dele quando recebeu a ordem do comandante da PM do Acre para que os tratores passassem por cima dos barracos. Pela recusa em obedecer, o Coronel Hid foi preso e recolhido ao quartel da PM, com a consciência tranquila por não ter infligido mais sofrimento aos pobres. Um gesto nobre esquecido pela história. O fato omitido da memória do estado me impede de lembrar quem era o comandante da PM à época, assim como o governador, mas serve para mostrar que existem sentimentos nobres. O que deveria ser a regra e não a exceção.

Tião Bocalom conseguiu ser o assunto mais comentado nas redes sociais. Entre a maioria que condenou o gesto e uns poucos defensores, a autopromoção dos políticos vencidos nas urnas. Bocalom bateu um recorde difícil de ser superado. Eleito com quase 63% dos votos, jogou a popularidade no lixo em três meses. Enquanto a pandemia avança sobre a população e a campanha de vacinação anda a passos lentos, o prefeito prioriza viagens em busca de recursos para “Produzir para Empregar”. É o clássico caso da pessoa que tropeça nas pedras do chão por olhar para as estrelas. A população não quer promessas de caviar, quer feijão com arroz na mesa, agora. Sem esquecer que para Produzir para Empregar é preciso vacinar a população, caso contrário será produzido em cima de cadáveres. Em tempo, para Produzir para Empregar, é preciso pagar e PM não é moeda de pagamento.

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB) vai denunciar ao Ministério Público, o prefeito Tião Bocalom (PP) e o governador Gladson Cameli, pelas agressões aos garis. A lógica é simples- Bocalom pediu a PM e Gladson cedeu. Ambos infringiram o artigo 5º da Constituição Federal que assegura a todo brasileiro a liberdade de manifestação e de pensamento e garante que todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização: “A ação da polícia foi abusiva, pois se utilizou de um uso excessivo da força para dispersar uma manifestação legítima e pacífica. E até agora o governador e o prefeito não apareceram para condenar essa atrocidade. Quem cala, consente, né!?”

O deputado Jesus Sérgio (PDT), foi apedrejado por ter votado contra a PEC 186. Por desconhecimento ou má fé, dizem que ele votou contra o Auxílio Emergencial. Na verdade Jesus votou contra o arrocho do servidor público que teve os salários congelados em nome de um auxílio de R$250 por 4 meses. O parlamentar votou contra o congelamento permanente dos salários dos servidores estaduais e municipais e durante 15 anos dos salários federais para que a economia garanta o dinheiro para os banqueiros que lucram com os juros da dívida. Jesus, como outros deputados, defendeu o auxílio de R$600 sem o congelamento de salários do funcionalismo público.

 

 

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