19 junho 2024

Rio Iaco sai da cota de alerta e famílias desabrigadas começam a voltar para casa em Sena Madureira

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O nível do Rio Iaco continua baixando em Sena Madureira, no interior do Acre, e saiu da cota de alerta, que é de 14 metros. Com a baixa das águas, as mais de 1,3 mil pessoas que ainda estavam desabrigadas começaram a deixar os abrigos montados pela prefeitura da cidade e voltar para suas casas.

A coordenadora da Assistência Social do município, Elane Pessoa, informou ao G1 que as 328 famílias desabrigadas começaram a voltar para casa nesta segunda-feira (8) após liberação da Defesa Civil Municipal. Segundo ela, a prefeitura está entregando kits de limpeza para as pessoas.

O manancial, que chegou a 18,35 metros no último dia 21 de fevereiro, marcou 11,53 metros na medição das 6h desta segunda e está com mais de dois metros abaixo da cota de alerta.

“Até amanhã [terça, 9] acredito que saem todas as famílias dos abrigos, se não chover. Como saiu da cota de alerta, a Defesa Civil liberou que a partir de hoje as famílias para sair dos abrigos. Estamos com equipe montada na rua entregando o kit de limpeza para as famílias conseguirem voltar para suas casas. Ao final do dia é que vamos ter a noção de quantas saíram e quantas continuaram nos abrigos”, disse a coordenadora.

A cheia do Rio Iaco chegou a atingir mais de 27,6 mil pessoas do município. Essa foi a maior cheia desde 1997, quando rio marcou 19,40 metros. Segundo dados da Secretaria de Assistência Social, a cidade tem 42 abrigos ativos entre escolas, quadras esportivas e prédios públicos.

Toneladas de entulho

O secretário Municipal de Serviços Urbanos da (Semsur) na cidade, Jeocundo César, informou que os trabalhos de limpeza da cidade iniciaram no último dia 23, depois que o rio começou a apresentar vazante.

De lá até quinta (4), foram retiradas mais de mil toneladas de entulho das ruas. Ele disse que em pelo menos 70% da cidade foi retirado o lixo mais “grosso” e que também está sendo feita a lavagem de ruas, por conta do mau cheiro após a vazante.

“Pedimos até um caminhão pipa com capacidade de 18 mil litros de água porque, com a baixa das águas, fica sempre o mau cheiro e a sujeira na cidade. Já estamos com mais de mil toneladas de lixo retiradas. Do lixo grosso mesmo já retiramos em torno de 70%, agora estamos também lavando as ruas, tirando excesso nas laterais”, disse o secretário.

Situação de emergência

Diante da situação da enchente, o prefeito da cidade, Mazinho Serafim, declarou, no último dia 17 de fevereiro, situação de emergência por 180 dias.

Nesse período, de acordo com o documento, fica autorizada a mobilização de todos os órgãos municipais para atuarem nas ações de resposta ao desastre. Essas ações vão ser coordenadas pela Defesa Civil e Gabinete de Crise.

Também fica autorizada a convocação de voluntários para reforçar as ações e para a realização de campanhas de arrecadação de recursos e doações, com o objetivo de facilitar a assistência à população afetada.

As autoridades administrativas e os agentes de defesa civil, diretamente responsáveis pelas ações, em caso de risco iminente, estão liberados a:

  • Adentrar nos imóveis, para prestar socorro ou para determinar a pronta evacuação;
  • Usar de propriedade particular, no caso de iminente perigo público, assegurada ao proprietário indenização, se houver dano.

O decreto libera ainda o início de processos de desapropriação, por utilidade pública, de propriedades particulares comprovadamente localizadas em áreas de risco.

Por fim, estão dispensadas as licitações de contratos de aquisição de bens e de prestação de serviços e de obras relacionadas com a reabilitação dos cenários dos desastres, desde que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 dias.

Por Iryá Rodrigues, G1 AC

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