12 de julho de 2026

Profissionais de enfermagem fazem ato no Acre contra suspensão da lei que fixa piso salarial da categoria

Profissionais de enfermagem fazem ato no Acre contra suspensão da lei que fixa piso salarial da categoria

Profissionais de enfermagem protestaram nesta sexta-feira (9) em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O grupo se manifestou contra a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, que suspendeu no último domingo (4) a lei que fixou o piso salarial da categoria.

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Em Rio Branco, os trabalhadores se reuniram em frente ao Palácio Rio Branco e caminharam pelas ruas do Centro até a Ponte Juscelino Kubitschek, conhecida como Ponte Metálica, que ficou fechada por cerca de 15 minutos.

“Nosso movimento foi bonito, conseguimos fazer em todo o estado e os encaminhamentos agora é continuar lutando. Queremos agradecer o apoio dos nossos colegas. Temos um grupo de todos os sindicatos do Brasil e estamos em um comando só e o que decidirem o Acre vai estar junto nesse movimento em favor do nosso piso salarial que tem 22 anos de muita luta”, disse a Alesta Amâncio, presidente do Sindicato Técnicos de enfermagem, auxiliares e enfermeiros do Acre (Spate).

Em Cruzeiro do Sul, o grupo caminhou pela Avenida Lauro Muller, que também chegou a ficar fechada por poucos minutos. “Esse movimento é como uma advertência, uma chamada de atenção pelo que está acontecendo no Brasil. Agora, vamos aguardar resposta”, afirmou Alcione, representante do Sindicato dos Enfermeiros na cidade.

Após a decisão do ministro, o Spate e Sindicato dos Enfermeiros do Estado do Acre reagiram com críticas. A categoria pede que a lei volte a vigorar e que o novo piso seja pago aos profissionais.

“Recebemos com muita tristeza e pesar essa notícia, porque nosso piso é uma luta de mais de 20 anos, desde 2000 que a gente luta por esse piso, conseguimos essa vitória, foi aprovado no Congresso e Senado e agora, em uma decisão monocrática do Supremo, de um ministro, foi suspensa. É muito triste, doloroso, dá um sentimento de indignação e injustiça, mas nos dá força para lutar”, a presidente do Sindicato Alesta Costa.

A presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado do Acre, Iunaira Cavalcante Pereira também criticou a decisão do ministro e disse que a categoria vai seguir na luta para que a medida seja revertida.

“Fomos acordados no último dia 4 com essa notícia devastadora para a classe, notícia essa que nos deixou muito tristes, porque nosso piso salarial é constitucional e legítimo, então foi algo que trouxe um impacto muito negativo, toda a classe está bem entristecida, porém não vamos esmorecer, não vamos parar de lutar. O piso estava previsto para ser pago esse mês e nós, enquanto sindicato, estávamos nos movimentando para judicializar as instituições que não iriam pagar, visto que a aprovação foi em agosto”, disse Iunaira.

Piso salarial
O texto do projeto, aprovado pela Câmara e pelo Senado, fixou em R$ 4.750 o piso nacional de enfermeiros dos setores público e privado, valor que serve de referência para o cálculo do mínimo salarial de técnicos de enfermagem (70%), auxiliares de enfermagem (50%) e parteiras (50%).

Enfermeiros: R$ 4.750
Técnicos de enfermagem: R$ 3.325
Auxiliares de enfermagem: R$ 2.375
Parteiras: R$ 2.375
Suspensão
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu no domingo (4) a lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro e que cria o piso salarial da enfermagem.

A decisão vale até que sejam analisados dados detalhados dos estados, municípios, órgãos do governo federal, conselhos e entidades da área da saúde sobre o impacto financeiro para os atendimentos e os riscos de demissões diante da implementação do piso. O prazo para que essas informações sejam enviadas ao STF é de 60 dias.

Nos próximos dias, a decisão, que é individual, será levada para análise dos demais ministros do Supremo no plenário virtual. Barroso é relator de uma ação apresentada pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos de Serviços (CNSaúde), que defende que o piso é insustentável.

Diante dos dados já apresentados na ação, o ministro avaliou que há risco concreto de piora na prestação do serviço de saúde, principalmente nos hospitais públicos, Santas Casas e hospitais ligados ao SUS.

O ministro ressaltou que é preciso valorizar a categoria, mas que neste momento “é necessário atentar aos eventuais impactos negativos da adoção dos pisos salariais impugnados”.