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A poderosa máquina bolsonarista de produção de fake news

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Desde o ano de 2019, quando a jornalista Patrícia Campos Mello revelou ao mundo a existência e descreveu o funcionamento das engrenagens do denominado Gabinete do Ódio, tenho escrito textos falando sobre essa estrutura que constitui verdadeira indústria bolsonarista de produção e difusão, em larga escala, com impulsionamento pago, de fake news.

A vitória de Bolsonaro nas eleições de 2018 se deveu, em boa medida, a alguns fatores convergentes, dentre eles: 1) a operação lava jato; 2) a prisão de Lula; 3) a facada; 4) o Gabinete do Ódio. Essa poderosa máquina de promover o linchamento moral e a execração pública de adversários ajudou a conferir o upgrade necessário à figura do então candidato, por fim eleito. Em condições normais de temperatura e pressão, jamais um ser humano tão medíocre chegaria tão longe.

De 2018 a 2022, embora o campo da esquerda progressista tenha avançado muito em sua comunicação digital, recuperando um pouco do terreno perdido, a máquina bolsonarista seguiu em funcionamento desde então, se aperfeiçoou, diversificou e intensificou a produção e difusão de suas mentiras. No lugar do fantasioso kit gay, da inexistente mamadeira de piroca e do tenebroso pacto com o demônio entraram a velha ameaça de implantação do comunismo, o fechamento de igrejas, o ensino de ideologia de gênero nas escolas, a implantação de banheiros unissex nas universidades, o aborto e a liberação das drogas, dentre outras.

A verdade precisa ser dita: Lula governou o Brasil por oito anos e Dilma, por mais seis. Nunca chegamos nem perto do “comunismo”, muito menos de nos tornarmos uma Venezuela, Nicarágua, Cuba ou qualquer coisa que o valha, seja lá o que isso queira dizer. Não houve nenhuma inflexão do governo que indicasse que estávamos caminhando nessa direção. Ao contrário, o que se viu foi o fortalecimento do capitalismo de Estado, com a inclusão de uma grande massa da população excluída no mercado de consumo, por intermédio de uma política de geração de empregos mediante investimentos públicos (sobretudo, obras), elevação do poder de compra do salário mínimo e acesso ao crédito.

Da mesma forma como em suas gestões anteriores, quando vencer as eleições e retornar ao poder, Lula não vai fechar igrejas; não é a favor da realização indiscriminada de abortos (salvo nas hipóteses previstas em lei); não vai obrigar ninguém a ensinar “ideologia de gênero” nas escolas (mas, sim, promover a adequada educação sexual para que crianças saibam identificar os casos em que possam estar sendo vítimas de abuso); não vai criar banheiros unissex nas universidades (mas respeitar o direito dos que não são heteronormativos, combatendo a homofobia, a misoginia e a transfobia); não é a favor da liberação ou do estímulo ao uso de drogas (mas sim da descriminalização dos usuários, transformando o debate em torno do tema em questão de saúde pública e não somente de segurança pública)… Simples assim!

Para se ter ideia do nível a que se pode chegar esse jogo sujo, na semana que passou, André Valadão, um mercador da fé bolsonarista, gravou vídeo se retratando por fake news proferidas anteriormente contra Lula, segundo ele, por decisão judicial do TSE. Mas, essa decisão não existe! Tudo não passou de uma encenação, utilizada como pretexto para afirmar que ele estaria sendo vítima de censura, de perseguição, de cerceamento de sua liberdade de expressão.

Ora, combater desinformação e fake news não é censura. Censura é colocar obstáculos ou impedir o exercício da liberdade de expressão de outrem. Impedir a propagação sistemática e proposital de mentiras, que causam danos à sociedade é dever cívico. A liberdade de expressão tem limites. Críticas são uma coisa, mentiras, ataques e ofensas, outras bem diferentes. No dizer do ministro Alexandre de Moraes, “liberdade de expressão não é liberdade para agressão. E democracia não é anarquia.” Ou como no dizer do Prof. Vinícius Lemos: “liberdade de expressão é você poder falar, nunca será você não arcar com as consequências do que disse. Não é salvo conduto. Nunca será.”

De outra banda, enquanto produz e espalha suas mentiras pelas redes sociais, detratando adversários e gerando uma espessa cortina de fumaça sobre seus malfeitos, Bolsonaro prepara o seu novo pacote de maldades contra os trabalhadores. Ele tentou negar, mas, na mesma entrevista concedida em um famoso podcast, confirmou a chamada “desindexação” do Salário Mínimo (SM). Isso quer dizer que o reajuste anual do SM e benefícios previdenciários que, com Lula, ocorria pela soma da INFLAÇÃO + PIB e com Bolsonaro ficou só com a INFLAÇÃO passaria a ser aleatório, conforme a previsão inflacionária de início de ano. Tal arrocho, que estava sendo mantido em sigilo e foi revelado pelo deputado federal André Janones, vai aumentar a pobreza no Brasil. Se for aprovado, 75 milhões de brasileiros ficarão mais pobres.

O fato é que não se pode usar a liberdade de expressão para atentar contra ela própria. Assim como não se pode espalhar mentiras ou notícias falsas de forma deliberada, como se verdadeiras fossem: nem para desancar adversários e, muito menos, para desviar a atenção das pessoas do que de fato importa. Isso não é liberdade: é crime. Aprendamos, de uma vez por todas.

 

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Marina diz que governo usará recursos do Fundo Amazônia para ajudar povo Yanomami

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A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta segunda-feira (30) que o governo federal utilizará recursos do Fundo Amazônia para ajudar o povo Yanomami.

A população indígena sofre com uma grave crise de saúde, com inúmeros registros de desnutrição e malária.

“Os recursos do Fundo Amazônia serão deslocados para ações emergenciais. Essas ações estão sendo tratadas em vários níveis, que envolvem: a questão da saúde; o tratamento ao problema da grave situação de fome, que está assolando as comunidades; a parte de segurança, para que essas pessoas possam ficar em suas comunidades, e isso tem a ver com operações de desintrusão do garimpo criminoso dentro dessas comunidades”, declarou a ministra.

Marina Silva deu a declaração em uma entrevista coletiva em Brasília, após ter se reunido com a ministra da Cooperação da Alemanha, Svenja Schulze.

Fundo Amazônia
Criado em 2008, o Fundo Amazônia é destinado a financiar ações de redução de emissões provenientes da degradação florestal e do desmatamento. É considerada uma inciativa pioneira na área.

Além de apoiar comunidades tradicionais e ONGs que atuam na região amazônica, o fundo fornece recursos para estados e municípios para ações de combate ao desmatamento e a incêndios.

O fundo é abastecido com recursos de doações internacionais. Os governos de Alemanha e Noruega respondem, juntos, por mais de 99% dos depósitos.

Em dez anos (2009 a 2018), o fundo aplicou mais de R$ 1 bilhão em 103 projetos de órgãos públicos e organizações não-governamentais. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) administra os recursos e aprova os projetos.

Em 2019, primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, as ações do fundo foram paralisadas. Na ocasião, o governo suspendeu comitês, entre eles o Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA), que tem como atribuição estabelecer as diretrizes e critérios para aplicação dos recursos do fundo. Isso levou Noruega e Alemanha a suspenderem os repasses.

Em 1º de janeiro, dia em que tomou posse como novo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma série de medidas, entre elas um decreto em que determinou a retomada do fundo.

Após a edição do decreto, entidades ambientais disseram ter boa expectativa com a retomada do fundo, afirmando ser possível garantir a preservação ambiental da região e a buscar o desenvolvimento sustentável.

Também após o decreto, a Noruega informou que o Brasil já poderia gastar cerca de R$ 3 bilhões doados pelo país ao Fundo Amazônia. E a Alemanha anunciou a destinação de 35 milhões de euros.

Por G1 e TV Globo

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MEC divulga novos prazos de inscrição para o Sisu, Prouni e Fies

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O Ministério da Educação disponibilizou na internet os editais dos primeiros processos seletivos de 2023 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Para acessar informações sobre os três programas, os estudantes devem utilizar o Portal Acesso Único. Os calendários de inscrições foram antecipados, conforme anúncio feito em dezembro pelo MEC.

O novo prazo de inscrição para o Sisu é de 16 a 24 de fevereiro de 2023. O resultado será divulgado no dia 28 de fevereiro. Antes, o resultado estava previsto para sair em 7 de março. As inscrições para o Prouni serão abertas no dia 28 de fevereiro e vão até o dia 3 de março. E para o Fies, terão início no dia 7 de março e terminarão no dia 10 do mesmo mês.

Segundo o MEC, em todos os processos seletivos a classificação tem por base a nota obtida na edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2022.

“Para o Prouni, serão válidas também as notas obtidas no Enem de 2021. Já no Fies, quem concorreu a uma das edições do Enem a partir de 2010 até a mais recente, poderá se inscrever”, informou o Ministério da Educação.

Veja as datas
Sisu

Inscrições: 16 a 24 de fevereiro

Resultado: 28 de fevereiro

Prouni

Inscrições: 28 de fevereiro a 3 de março

Resultados: 7 de março (1ª chamada); e 21 de março (2ª chamada)

Fies

Inscrições: 7 a 10 de março

Resultado: 14 de março.

POR AGÊNCIA BRASIL

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Preços dos combustíveis aumentam pela terceira semana consecutiva

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Os preços dos combustíveis voltaram a subir no arranque desta semana, que marca o final do mês de janeiro, o que representa o terceiro aumento consecutivo.

Desta forma, e segundo as contas do site Mais Gasolina, na madrugada desta segunda-feira, 30 de janeiro, a Galp aumentou os preços da gasolina 95 simples em 3,5 cêntimos por litro, para um preço médio de 1.811 euros, enquanto o gasóleo simples registou um aumento de 1 cêntimo por litro, para um preço 1.751 euros por litro.

Já BP aumentou o preço da gasolina simples 95 em 3,5 cêntimos por litro, para um preço médio de 1.825 euros por litro, enquanto o gasóleo simples registou uma subida de 1 cêntimo para um preço médio de 1.770 euros.

Por seu lado, a Repsol aumentou preço da gasolina 95 simples em 3, cêntimos, tal como a BP e a Galp, para um preço médio de 1.813 euros por litro, enquanto o gasóleo simples subiu 1,5 cêntimos 1,749 euros por litro.

Recorde-se que para encontrar a gasolina 95 simples a preços mais altos é preciso recuar a 20 de novembro de 2022, e no caso do gasóleo a 28 de novembro do ano passado.

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