25 maio 2024

Doença da vaca louca não deve afetar exportações no AC, mas sindicato prevê baixa no preço da carne bovina

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Apesar de o Acre não ser exportador direto de países que suspenderam importações brasileiras, Sindicarnes prevê barateamento no preço da carne — Foto: Reprodução/TVCA

Apesar da suspensão das importações de carne bovina por parte da China, Tailândia, Irã e Jordânia, o estado do Acre não terá impactos diretos na exportação, mas na possível retenção do produto, o que resultaria no barateamento da carne. Pelo menos é o que afirma o Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Estado do Acre (Sindicarnes).

O diretor executivo do Sindicarnes, José Aristides Junqueira Franco Júnior, também falou que em termos de prejuízo com exportação de carne propriamente dita, a tendência é de que não ocorra por ter sido um caso isolado. Contudo, teme-se pela desvalorização do produto em solo brasileiro.

“Como das exportações brasileiras, 60% vai para a China, o mercado interno fica com uma grande oferta de carne e, com isso, ocorrer uma baixa na venda da carne e, em consequência, o preço pago na arroba tanto do boi como da vaca ter uma baixa também”, disse, complementando que em razão da situação atípica, as exportações devem voltar em breve.
Exportação de miúdos bovinos e suínos
Segundo o relatório emitido em janeiro pelo Observatório do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, o grupo de bovinos e derivados detém o quinto maior quantitativo de exportações, perfazendo o percentual de 0,5%, gerando quase 11 mil dólares ao estado.

Com relação ao grupo de miúdos bovinos, que compõe 15,9%, a geração foi de mais de 362 mil dólares.

O secretário da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) do estado, Assurbanipal Mesquita, confirmou ao g1 que os principais produtos importados são miúdos bovinos e suínos, principalmente, sendo este último o que mais preocupa a pasta.

“Até então, acreditamos que esse impacto não chega até aqui pelo movimento. As empresas tem reclamado dessa relação comercial, mas não é de agora […] a nossa carne aqui são mais miudos que vão para Hong Kong. As carnes que exportamos são suínos e miúdos bovinos, então se vê esse reflexo. Nossa preocupação é mais com suíno porque tem um certo volume”.

Mesquita complementou ainda que no Acre não há a preocupação de identificação de casos de vaca louca. “Nós temos área livre de aftosa, inclusive tivemos recentemente a República Dominicana para habilitar nossa carne, então estamos tranquilos”.

Vaca louca

Cérebro de animal afetado pela doença da vaca louca — Foto: Reprodução / Globo Rural

Cérebro de animal afetado pela doença da vaca louca — Foto: Reprodução / Globo Rural

A enfermidade que acomete bovinos adultos de idade mais avançada costuma ser fatal, uma vez que provoca a degeneração do sistema nervoso. Por conta disso, uma vaca pode se tornar agressiva e de difícil manejo – daí, o apelido.

A confirmação de um caso de Encagalopatia Espongiforme Bovina, conhecida como “vaca louca” no Brasil, mais precisamente no município de Marabá, no Pará, em fevereiro, fez com que países como China, Tailândia, Irã e Jordãnia suspendessem as importações.

Existem duas formas de o animal contrair a doença, sendo a primeira por mutação do prion, que é uma proteína infecciosa presente em mamíferos que pode se multiplicar descontroladamente; e a segunda por contaminação por meio de ração que contenha proteínas de animais contaminados, como ossos e carnes de outras espécies.

Nesse caso em si, o laboratório que investiga o caso disse que foi resultado de envelhecimento natural. Além disto, também não há risco de que o rebanho esteja contaminado também.

Em nota, o Ministério da Agricultura chegou a informar, nesta quinta-feira (2), a respeito da suspensão e do embargo, por parte da Rússia, à carne exportada do Pará.

Por Renato Menezes e Iryá Rodrigues, g1 AC

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