25 maio 2024

Idosos que morreram em acidente no MT são enterrados no AC; família acusa empresa de não pagar despesas

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Astrogildo Victor e Maria Alice saíram de Rio Branco para visitar familiar em Goiás — Foto: Arquivo pessoal

Os familiares dos idosos Astrogildo Victor Souza de Moura, de 72 anos, e Maria Alice Araújo Barros, de 63, acusam os representantes da Empresa Matriz, responsável pelo ônibus envolvido em um acidente na BR-174 no domingo (5) que deixou sete mortos, de se recusarem a pagar as despesas do enterro e até de descaso.

O ônibus tinha saído de Rio Branco com destino a Goiânia, em Goiás, e bateu em uma carreta de verduras na BR-174, próximo ao Distrito de Caramujo, em Cáceres, a 250 km de Cuiabá. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os dois veículos bateram de frente.

Astrogildo Victor e Maria Alice iam visitar o filho do idoso, Chaeno Moura, que mora em Goiânia. Pai e filho tinham se reencontrado há quatro anos.

Os corpos dos idosos chegaram à capital do Acre na madrugada desta terça-feira (7). O velório ocorreu em uma igreja evangélica do bairro Cidade Nova e o enterro no Cemitério Jardim da Saudade.

Ao g1, o sobrinho do casal, Ian Barros contou que, no domingo (5), os representantes da empresa se comprometeram a arcar com todas as despesas do traslado, velório e enterro dos idosos. O rapaz diz que chegou a ir em uma funerária de Rio Branco e enviou um orçamento para a empresa, conforme combinado.

“No final, disseram que não iam pagar porque o enterro era um bem imóvel da família, então, era de responsabilidade da família arcar”, contou.

O traslado dos corpos de Cáceres até a capital acreana foi arcado pela empresa. Surpresos com o novo posicionamento dos representantes da empresa, os familiares se juntaram e fizeram uma vaquinha para pagar pelas demais despesas.

“Me ofereci para pagar 50% [das despesas] e elas [filhas do casal] se juntaram, fizeram uma cotinha para pagar o restante. Minha avó tinha duas covas no [Cemitério] Jardim da Saudade, a família optou por colocar eles lá porque tem outros familiares no mesmo canto, para ficar todo mundo junto. Pagaram [empresa] o material do velório. Suporte do caixão, livro de assinaturas e uma bandeira evangélica e o traslado do velório para o cemitério”, criticou Ian Barros.

‘Falta de respeito’
Outra reclamação do rapaz é com a forma que os parentes foram tratados. Desde domingo, Ian Barros está à frente das negociações e ajustes para a chegada dos corpos, preparo do velório e enterro na capital acreana.

Foi ele quem falou com os representantes da Matrix e fala que foi tratado com falta de respeito. “Trataram a gente com muito desdém, como se fôssemos quaisquer pessoas. Simplesmente disseram que era uma cortesia, que a Matrix estava fazendo em mandar nossos tios para cá. Eles humilharam a gente. Falaram que as passagens dos meus tios foi gratuita, pelo benefício do idoso, mas não foram porque meus tios pagaram”, reclama.

Barros conta também que a empresa afirma que as passagens dos idosos foram obtidas pelo passe livre, que garante gratuidade a idosos em viagens interestaduais. Mas, segundo o sobrinho, o tio pagou R$ 1,3 mil pelas passagens.

“Nossa chateação não é só porque não pagaram o enterro depois de terem dito que iam pagar, mas a forma prepotente e arrogante de como falaram conosco. Falaram que era uma cortesia o que estavam fazendo, jogaram na minha cara que gastaram R$ 25 mil com meus tios, que as passagens eram de graça. Não foi um favor. Isso traz um desconforto muito grande porque, além da família está no processo de luto, ainda se sentiu humilhada por um direito básico”, ressaltou.

O que diz a Empresa Matriz
O diretor da empresa de ônibus Matriz, Ismael Maia, afirmou que a empresa não tem culpa no acidente, que também é vítima e perdeu um funcionário. Ele destacou também que o ônibus estava em perfeito estado, é novo e com, no máximo, quatro meses de uso, e o motorista andava dentro da velocidade exigida na via.

Logo após a fatalidade, Maia diz que a empresa disponibilizou todo suporte aos feridos e familiares das vítimas fatais. Sobre o casal de Rio Branco, o diretor argumenta que foi contratada uma funerária em Cáceres para fazer o transporte dos corpos até a capital acreana.

“Eu fiz, de próprio punho, uma autorização para retirada dos corpos para envio para Rio Branco no dia do acidente. Nós, em momento algum, negamos fazer esse transporte, não furtamos, em hipótese alguma, conduzir os corpos e entregar em Rio Branco com maior respeito que a família merece”, pontuou.

Maia destaca também que os controles da empresa mostram que os idosos viajaram pelo passe livre. Segundo ele, foi sobre isso que a empresa se referia quando citou a ‘cortesia’. “Essa palavra cortesia apareceu em outro momento e estão usando e distorcendo. O casal estava viajando pelo passe livre do idoso, então, a empresa forneceu de cortesia a passagem da viagem. A empresa cumpriu com todo compromisso da prestação do serviço, mandou o casal para sepultamento em Rio Branco por iniciativa da própria empresa”, argumentou.

Por Aline Nascimento, g1 AC

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