22 maio 2024

Monitor da Violência: Acre tem segunda maior alta de mortes violentas do país em 2022

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Monitor da Violência: Acre tem segunda maior alta de mortes violentas do país em 2022 — Foto: James Silva/Arquivo pessoal

O Acre teve a segunda maior alta nas mortes violentas registradas em 2022 entre os estados brasileiros. Os dados fazem parte do Monitor da Violência, índice nacional de homicídios criado pelo g1, com base em informações oficiais dos 26 estados e o Distrito Federal. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (1º).

Ao todo foram contabilizadas 216 mortes violentas no estado acreano no ano passado, levando em consideração feminicídios (quando as vítimas são mortas na condição de mulheres), homicídios dolosos (quando o assassinato é intencional), latrocínios (quando a vítima é assassinada para que o roubo seja concluído) e lesões corporais seguidas de morte. Os dados apontam uma média de 18 assassinatos por mês.

No ano de 2021, o número de mortes violentas no Acre foi de 181. Com isso, houve um aumento de 19% nos casos em um ano. Essa alta só não foi maior que a registrada no estado do Mato Grosso, que foi de 24%.

Ao analisar a quantidade de habitantes do estado no mesmo ano, um total de 906.876 pessoas, o Acre contabilizou 23,8 mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes.

O governo do Acre afirma que a principal causa por trás do aumento de mortes foi o acirramento de confrontos armados entre facções criminosas, que acabou gerando mortes por execução nas disputas de território. Em 2022, por exemplo, dos mais de 190 homicídios dolosos registrados, mais de 80 foram execuções.

Em novembro, após a escalada da violência, o secretário de Segurança e Justiça do Acre, coronel Paulo Cézar, afirmou que as ordens dos confrontos partem de presídios do estado e, também, do país vizinho, Bolívia. “Há um movimento envolvendo lideranças criminosas, crime organizado, principalmente narcotráfico”, afirmou.

Para tentar conter a escalada, o governo diz que trabalha na padronização do sistema prisional, além de ter criado um grupo especial para policiar áreas de fronteira e ter adquirido equipamentos novos para as forças de segurança.

Entre os casos registrados no ano passado, 12 foram feminicídios. Ou seja, dois a mais que em 2021, quando 12 mulheres foram assassinadas no estado acreano.

Entre os casos está o de Renilde Souza dos Santos, de 51 anos, que morreu ao ser esfaqueada pelo companheiro em um ramal no km 75 da cidade de Brasiléia, no interior do Acre, em maio do ano passado. O suspeito foi preso ao dar entrada ferido no hospital da cidade.

Também no interior do Acre em maio, a bancária Tatiane Lima Nere, de 33 anos, foi morta pelo vigilante Kennedy Souza Fontenelle, 26, dentro da agência do Sicredi. Os dois trabalhavam na agência e tinham se relacionado. O crime aconteceu antes de os atendimentos começarem.

No mesmo dia, a jovem Maria Samara Silva do Nascimento, de 19 anos, foi morta com facadas no pescoço e peito na zona rural de Feijó, também no interior do Acre. De acordo com a polícia, o suspeito é o ex-namorado da vítima, que não aceitava o fim do relacionamento.

Em junho do ano passado, a jovem Ingrid da Silva, de 19 anos, foi assassinada com tiro na cabeça na rua Padre José, no bairro Triângulo Novo, região do Segundo Distrito de Rio Branco. O principal suspeito é um ex-namorado dela. Daniel Silva Barros foi denunciado por feminicídio, mas após a oitiva de testemunhas e interrogatório do réu, o Ministério Público acreditou na versão do acusado de que foi tiro acidental e ele não deve ir a júri popular.

Por g1 AC

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