24 maio 2024

Sem CNH, cadeirante que adaptou moto para trabalhar é preso em blitz e tem veículo apreendido no Acre

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Jaime Andrade foi parado em uma blitz no último domingo (12) e teve a motocicleta apreendida — Foto: Arquivo pessoal

O cadeirante Jaime Andrade, de 45 anos, passa por um momento de grande dificuldade em Cruzeiro do Sul, interior do Acre. No último domingo (12), quando fazia uma entrega no Ramal Santa Rosa, na zona rural, ele foi parado em uma blitz, teve a motocicleta que adaptou para trabalhar apreendida e acabou preso por adulteração.

Além da adaptação irregular do veículo, Jaime Andrade não tem Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Mesmo assim, ele dirigiu durante quatro anos na área urbana e rural do município trabalhando como vendedor.

Sem o transporte, Andrade ficou sem trabalho e também não tem como voltar até os clientes para receber o dinheiro das vendas.

“Adaptei a moto, mas não sabia que era adulterada. Adaptei porque coloquei uma roda traseira e comecei a andar, fazer minhas atividades para ter uma vida melhor. Utilizava a moto para vender roupas em um ramal, crediário para receber no final do mês. Agora estou sem a moto e não posso fazer nada e tenho muita conta para receber e como vou receber se não tem como eu ir”, lamentou.

A preocupação de Andrade aumenta porque era dessas vendas que ele tirava o sustento. “Sabiam que eu andava nessa moto. Estava com quatro anos que andava nessa moto e nada. Passava pelas blitzens e não paravam, eu andava direito. Nunca cometi uma infração nesses quatro anos”, criticou.

Andrade diz também que dormiu uma noite na delegacia e reclama da forma como foi tratado. “Me colocaram dentro de uma cela que nem um cachorro todo molhado porque tinha pegado chuva, me largaram lá e me tiraram no outro dia. Apreenderam minha moto e ainda me prenderam também porque não cometi nenhum crime. O que fiz foi alterado a traseira da moto, que coloquei duas rodas atrás para eu andar. Adaptei pela minha necessidade para não aperrear ninguém, para não ter que ir pagar alguém para ir comigo porque aqui o transporte é muito caro, não tenho dinheiro”, confirmou.

Trabalhador perdeu as pernas em um acidente em 2010 quando recebeu uma descarga elétrica — Foto: Bruno Vinícius/Rede Amazônica Acre
Trabalhador perdeu as pernas em um acidente em 2010 quando recebeu uma descarga elétrica — Foto: Bruno Vinícius/Rede Amazônica Acre

Acidente

Jaime Andrade perdeu os movimentos das pernas em 2010 quando sofreu uma descarga elétrica. Ele trabalhava como eletricista da antiga Eletroacre. Sem renda extra, a família dele passou dificuldades financeiras e em 2019 ele teve a ideia de adaptar a motocicleta e começar a vender roupas, acessórios, entre outros materiais.

“Minha esposa me deixou, me deixou pro outro. É um transtorno na vida da gente. Estou há três dias chorando direto, quando me lembro daquele filme, eu lá dentro da delegacia, nunca tinha passado por isso, em uma cela jogado, cheio de baratas e fedendo a mijo. É um transtorno na vida da gente”, contou.

Andrade por ter a moto de volta de pagar uma multa de R$ 800. Esse é um dinheiro que ele não tem e faz um apelo.

“É ficar em casa, não tem outra saída, ficar isolado em casa. Agora está difícil. Peço também que o governador olhe para minha situação, não sou nenhum bandido, sou um cara trabalhador, nunca cometi um erro. Me deram uma multa de R$ 800 que não tenho como pagar. A moto não está lá? Não vou pagar a multa porque a moto tá lá”, criticou.

Por g1 AC/Colaborou o repórter Bruno Vinicius, da Rede Amazônica Acre.

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