19 de junho de 2026

Regulamentação nacional para câmeras de abordagem policial pode ser implementada

Regulamentação nacional para câmeras de abordagem policial pode ser implementada

As câmeras utilizadas para gravar abordagens policiais podem estar prestes a ter uma regulamentação nacional no Brasil, em substituição às diversas regras adotadas por cada estado. Já em uso em pelo menos cinco estados e em processo de implementação em outros sete, essas câmeras corporais têm o objetivo de documentar a rotina dos policiais, auxiliar na produção de provas e prevenir abusos durante operações policiais.

- Publicidade -

De acordo com especialistas, os resultados obtidos até agora são positivos, especialmente no que diz respeito à redução de mortes e lesões decorrentes de intervenção policial. Joana Monteiro, do Centro de Ciência Aplicada à Segurança Pública da FGV, destaca que a utilização das câmeras está associada a uma significativa diminuição desses incidentes.

Em São Paulo, onde o equipamento está em uso desde 2020, houve uma redução de 57% nas mortes e 63% nas lesões corporais decorrentes de intervenção policial entre 2021 e 2022, de acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas. No entanto, o tema tem gerado polêmica, e o uso das câmeras foi parar na Justiça após uma decisão em dezembro que suspendeu uma liminar obrigando o uso do equipamento por todos os policiais militares do estado.

Diante desse cenário, o governo federal pretende criar uma regulamentação padronizada para todo o país, em parceria com o Ministério da Justiça, governos estaduais, municipais e organizações da sociedade civil. O projeto inicial propõe o uso obrigatório das câmeras em ocorrências e atividades que exigem atuação ostensiva, como buscas, apreensões e operações em grandes eventos, como manifestações.

As imagens capturadas devem conter identificação da câmera e do usuário, marca d’água, georreferenciamento, data e hora. O armazenamento das imagens deve ser auditável, e os policiais devem informar as pessoas que estão sendo gravadas se a câmera não estiver visível.

O projeto também aborda a possibilidade de acionamento automático, pessoal ou remoto das câmeras, afetando tanto policiais militares quanto civis, além da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional. A proposta está em consulta pública, e até fevereiro, o Ministério da Justiça pretende publicar uma portaria com as diretrizes para o uso padronizado dessas câmeras em todo o país.

Fonte: G1