3 de junho de 2026

Brasil tem desafio de recuperar 25 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030

Brasil tem desafio de recuperar 25 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030

Neste Dia Nacional de Conservação do Solo, 15 de abril, o Brasil enfrenta o desafio de recuperar 25 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, como parte de compromissos internacionais. No entanto, dados do Observatório da Restauração e do Reflorestamento mostram que apenas cerca de 79 mil hectares foram recuperados até o momento, representando menos de 1% da meta estabelecida.

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Nos últimos anos, o desmatamento e a degradação ambiental avançaram nos biomas brasileiros, resultando na perda de 9,6 milhões de hectares de vegetação nativa entre 2019 e 2022, de acordo com o levantamento da MapBiomas.

Diante desse cenário, o governo iniciou uma revisão das metas e políticas públicas desde janeiro de 2023, visando não apenas cumprir os acordos internacionais para conter a crise climática, mas também regularizar propriedades rurais e o Estado em relação à legislação ambiental.

A diretora do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Fabíola Zerbini, explicou que o passivo do Código Florestal, somando área privada e pública, chega a aproximadamente 25 milhões de hectares de vegetação nativa a serem recuperados. Dessa quantidade, cerca de nove milhões podem ser compensados, enquanto os outros 14 milhões devem ser efetivamente restaurados, seguindo a meta atualizada, mas considerando que a oficial é de pelo menos 12 milhões de hectares.

Estratégias e impactos

A recomposição da cobertura verde do planeta é uma estratégia global para combater a crise climática, conforme estudos indicam que a restauração de 15% das vegetações nativas do planeta seria capaz de sequestrar 14% das emissões de gás carbônico lançadas na atmosfera desde a revolução industrial.

No Brasil, a legislação ambiental e acordos internacionais, como o Acordo de Paris e a Iniciativa 20×20, estabeleceram metas de recomposição da vegetação nativa. Além disso, iniciativas como a Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) foram criadas para fomentar a restauração.

Existem diversas estratégias para alcançar as metas de recuperação, incluindo regeneração natural, plantio em área total e sistemas agroflorestais. A regeneração natural é uma opção de baixo custo, especialmente em áreas extensas, enquanto os sistemas agroflorestais consideram a subsistência da população local, como a silvicultura de espécies nativas e sistemas integração lavoura-pecuária-floresta.

Além dos benefícios ambientais, como a captura de carbono e a resiliência aos eventos climáticos extremos, a recuperação de vegetação nativa pode se tornar um modelo de negócio rentável. Empresas que investem na restauração de áreas degradadas, como a Symbiosis na Bahia, obtêm retorno econômico pela venda de produtos florestais e tecnologias.

Fomento e perspectivas

O Ministério do Meio Ambiente está articulando linhas de financiamento e crédito, como o Restaura Amazônia, para projetos de recuperação da vegetação nativa. Além disso, a atualização da Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, prevista para junho, e iniciativas de fomento visam destravar a agenda ambiental e promover a regularização ambiental.

A combinação de políticas públicas, financiamento, e engajamento de produtores e poder público é essencial para alcançar as metas de recuperação da vegetação nativa e contribuir para a sustentabilidade ambiental no Brasil.

Via Agência Brasil.