16 junho 2024

“Carrego culpa colossal e devastadora”, diz Daniel Cravinhos sobre caso Richthofen

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Daniel Cravinhos, condenado por matar o casal Manfred e Marísia von Richthofen, diz que até hoje, mesmo após mais de 20 anos do crime, sente uma culpa ‘colossal e devastadora’ sobre o que fez. Em entrevista ao colunista Ullisses Campbell, de O Globo, ele relatou que será pai em breve e que isso o motivou a escrever a carta ao ex-cunhado Andreas, o irmão de Suzane.

Na carta divulgada nesta semana, ele pede perdão pelo que fez e demonstra vontade de se reaproximar do rapaz. Desde 2017, ele cumpre em liberdade o restante da pena de 39 anos de prisão. Apesar do esforço, ele afirma que o irmão da ex-namorada vive uma “prisão mental” devido ao que a família passou.

“A maior prisão que existe é a psicológica. Estava detido em Tremembé, mas minha mente continuava livre aqui fora. Andreas está em liberdade, mas sua mente está aprisionada. Hoje, tenho maturidade e discernimento para seguir em frente. Gostaria que ele também pudesse continuar sua jornada, mesmo diante de todas as adversidades. Sinto-me profundamente mal em viver minha vida enquanto ele está estagnado por minha causa”, pondera.

Segundo Daniel, ele se sente moralmente obrigado a estender a mão ao filho de Marísia e Manfred e que aguarda uma resposta. Embora um contato já tenha sido ‘ensaiado’ por meio de um amigo em comum, esse passo nunca foi dado. Por isso também, ele nunca foi até o sítio onde o rapaz mora, que fica próximo a uma residência de sua propriedade, em São Roque (SP).

“Esta tentativa de aproximação é muito delicada. Não sei como ele vai reagir. Logo após a tragédia, Suzane tentou um contato com o irmão e acabou sendo denunciada à polícia por ameaça. Se Andreas se sentir ameaçado por mim e me denunciar, posso perder o regime aberto e voltar à prisão. Por isso, optei por deixar minhas intenções claras e públicas. Compreendo que ele se sinta ameaçado por causa do que eu fiz com o seu pai. Não há como ignorar isso”, explica.

Caso Richthofen; relembre
Daniel ainda diz que gostaria de ‘acolhê-lo’ e lhe dar ‘carinho’, já que o fez passar por essa situação quando ainda era um adolescente. “Assim como ele, vivo em uma prisão mesmo estando livre, pois não consigo fazer tudo o que as pessoas fazem. Longe de mim querer me comparar a ele. Eu cometi um erro. Ele não cometeu erro algum e está desamparado, vivendo sozinho”, acrescentou.

Manipulação
Quando foi julgado, Daniel alegou ter sido manipulado por Suzane, mas, hoje, diz que a versão não se sustenta. Segundo ele, não é possível colocar toda a culpa nela e que é ‘bobagem’ alegar que o motivo do crime foi porque os pais dela não aceitavam o namoro do casal.

“Não tem como apontar um único motivo. Eu era tão idiota e imaturo na época que não tinha uma razão específica. Posso dizer que falhei não só com as vítimas, mas também com Andreas, com minha família e comigo mesmo. […] As razões são um conjunto de fatores que incluem paixão, possessão, irresponsabilidade, impulsividade, descontrole, inconsequência, raiva, imaturidade e cegueira”, afirmou.

Vida em liberdade
Desde 2017, Daniel cumpre o restante de sua pena em liberdade. Daqui a alguns meses, ele será pai e não pretende esconder do filho o que fez.

Atualmente, trabalha em uma oficina com personalização de capacetes e motocicletas para competições. Além disso, voltou a praticar aeromodelismo no Parque Ibirapuera, onde conheceu Suzane e Andreas. Ele tenta levar uma vida comum, mas diz que não é feliz.

“Carrego uma culpa colossal e devastadora. As pessoas não fazem ideia. Posto fotos correndo de moto e customizando veículos de corrida capacetes. Mas isso não significa que estou bem. Os eventos passados continuam a afetar a mim e à vida das pessoas envolvidas, mesmo após muitos anos. Estou tentando viver com os meus fantasmas. Não é fácil, nem espero que as pessoas entendam o que fiz, porque o que fiz não tem explicação, não tem perdão nem clemência”, declarou.

Ele revela que já foi hostilizado na rua, que é maltratado por profissionais de saúde quando precisa de atendimento, mas que não se ‘vitimiza’ por isso, pois entende a gravidade do que fez.

“É uma missão impossível. Eu matei uma pessoa brutalmente. Vou viver com isso até o fim dos meus dias. Tento superar o que fiz para viver o resto da minha vida em paz, mesmo que não mereça esse sossego. Apenas gostaria que as pessoas soubessem que não sou mais aquele jovem inconsequente que cometeu um crime. Hoje, sou outra pessoa. Quero seguir em frente do jeito que for possível”, revelou.

Ao ser questionado sobre o que faria se estivesse em um elevador, e Suzane entrasse, ele responde: “Sairia imediatamente, às pressas e sem olhar para trás”, destacou.

Fonte: Terra

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