24 junho 2024

Gravidez de gêmeas siamesas em Rio Branco desperta preocupação e esperança

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O sonho de ser mãe se transformou em uma preocupação para a jovem Alice Fernandes Brito Silva, de 18 anos, que está grávida de sete meses de gêmeas. Contudo, a descoberta de que as filhas são siamesas, ligadas pelo tórax e compartilhando um único coração, trouxe desafios inesperados.

A revelação ocorreu no início de março durante um exame de ultrassom em Brasiléia, interior do Acre, levando a jovem a ser transferida para Rio Branco para um acompanhamento especializado. Com uma taxa de nascimentos de gêmeos siameses de apenas um a cada 60 mil partos no mundo, a situação é considerada rara e delicada.

Alice, que é casada com Adriano Silva Fernandes, de 22 anos, ambos residentes no Ramal Santa Luzia, Seringal Apudí, zona rural de Brasiléia, já escolheu os nomes das gêmeas: Aylla Sophia e Allana Rhianna.

“Meu desejo é que minhas filhas fiquem bem, que os médicos façam o possível. Claro que em primeiro lugar vem Deus, que é o médico dos médicos, mas quero que lutem por elas. Dizem que não vão sobreviver, mas acredito que se a gente lutar, a gente consegue. Quero que as duas sobrevivam”, compartilha a mãe das pequenas.

Alice Fernandes e Adriano Silva planejaram gravidez — Foto: Arquivo pessoal

Alice relatou ao G1 que fez o primeiro exame de ultrassom logo no primeiro mês de gestação, quando o médico informou que seria apenas um bebê. A gravidez, planejada pelo casal, já estava sendo celebrada com a organização do chá revelação.

Cerca de cinco semanas depois, Alice voltou para outro exame, e foi então que descobriu a gravidez de gêmeas siamesas, sendo encaminhada imediatamente para a capital do estado.

“Estava tudo preparado para o chá revelação, foi tudo cancelado e vim aqui para Rio Branco. Tinha comprado poucas roupinhas e quando cheguei aqui ganhei outras coisas, mas não tenho o enxoval completo. Temos gastado muito aqui com passagens e, por isso, não tenho o enxoval”, relembrou Alice.

Em Rio Branco, Alice passou cerca de 10 dias internada, realizando diversos procedimentos com os profissionais da capital. Após receber alta, ela foi morar com uma prima no bairro Adalberto Aragão e continua a realizar consultas semanais com uma ginecologista na Policlínica do Tucumã.

Por causa da complexidade do caso, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) solicitou uma vaga de internação ao Central Nacional de Regulação da Alta Complexidade (CNRAC), que informa os serviços disponíveis em todo o país. Após tentativas em São Paulo, sem sucesso devido à complexidade do caso, a equipe recebeu uma sinalização de vaga na Regulação de Interstado de Brasília (DF).

“A minha gravidez foi bem planejada, nosso primeiro filho. Os médicos falam que o peso e tamanho estão normais, meu parto cesárea e não devem demorar muito a nascer. Meu útero está bem baixo, minha barriga também. Talvez nasça antes dos 9 meses”, concluiu Alice.

Ela deve viajar no próximo dia 26 pelo Tratamento Fora de Domicílio (TFD) acompanhada da mãe para continuar o atendimento na capital do país.

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