4 de junho de 2026

MP aponta negligência do Estado um ano após rebelião no presídio Antônio Amaro

MP aponta negligência do Estado um ano após rebelião no presídio Antônio Amaro

Um ano após a rebelião no Presídio de Segurança Máxima Antônio Amaro, em Rio Branco, que deixou cinco presos mortos, três deles decapitados, as investigações do Ministério Público do Acre (MP-AC) indicam omissão e negligência do Estado ao não seguir uma série de medidas que poderiam ter evitado o confronto.

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A equipe do g1 e da Rede Amazônica Acre produziu uma reportagem especial com informações exclusivas da Polícia Civil, do MP-AC e, com autorização do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC), entrou no Complexo Penitenciário de Rio Branco para verificar as mudanças desde o ano passado.

Um inquérito civil foi instaurado pelo promotor Rodrigo Curti para apurar possíveis danos morais de natureza coletiva cometidos pelo Estado. A investigação está em fase final e pode resultar em responsabilização judicial ou em um acordo extrajudicial com o MP-AC. Em nota, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) informou que ainda não foi notificada do inquérito civil.

Segundo o promotor, as falhas do Estado incluíram desde a falta de equipamentos até a instalação de um paiol de armas dentro da unidade prisional e a ausência de um plano de contingência. Outras falhas identificadas foram:

  • Não adoção de protocolos básicos de segurança;
  • Entrada de um policial penal armado no pavilhão 1;
  • Falhas na fiscalização de entrada de materiais, como a serra usada para serrar as grades das celas;
  • Deficiências estruturais e fragilidade das celas;
  • Câmeras de segurança defeituosas;
  • Aparelhos de comunicação com defeito;
  • Falta de efetivo nas guaritas;
  • Ausência de um plano de contingência e de treinamento adequado dos policiais penais.

“O Estado falhou ao não garantir a segurança dos presos e dos policiais penais”, afirmou o promotor Rodrigo Curti, destacando que a responsabilidade do Estado inclui garantir a integridade física e psicológica dos detentos.

Desde a rebelião, o presídio passou por várias reformas e mudanças de segurança. O diretor Raifran Alves destacou a instalação de câmeras e a revisão dos protocolos de segurança. “Com a instalação de câmeras e uma monitoração mais efetiva, conseguimos cobrir um campo de visão maior. Além disso, diminuímos o número de presos no pavilhão e realizamos revistas constantes”, disse Alves.

Antes da rebelião, presos renderam policiais penais e tiveram acesso a armas, iniciando a revolta. O delegado Roberth Alencar explicou que a rebelião foi planejada e executada por uma facção criminosa. “A rebelião foi uma tentativa de fuga e execução de rivais para aumentar o poder da facção”, afirmou Alencar.

As investigações da Polícia Civil apontam possível facilitação por parte de servidores públicos. “Há suspeitas de pagamentos para facilitar a fuga”, disse Alencar, ressaltando que a investigação é complexa.

Após a rebelião, 14 presos envolvidos foram transferidos do Acre para outras unidades. O promotor Bernardo Albano explicou que os presos transferidos estavam no núcleo operacional que iniciou a rebelião.

Mudanças na administração do Iapen também ocorreram após a rebelião. O governo exonerou o diretor-presidente do Iapen e o diretor executivo operacional, nomeando novos responsáveis pela gestão penitenciária.

As investigações continuam, e o Estado pode ser responsabilizado judicialmente pelas falhas que contribuíram para a rebelião.