4 de julho de 2026

Morte de brasileira na Indonésia gera comoção, críticas nas redes e tensão diplomática

Morte de brasileira na Indonésia gera comoção, críticas nas redes e tensão diplomática
Brasileira Juliana Marins é encontrada sem vida a 600 metros abaixo da trilha do vulcão Rinjani, na Indonésia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A morte da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, após uma queda em uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, tem gerado comoção nas redes sociais, críticas à condução das buscas e sinais de tensão diplomática entre Brasil e Indonésia. Juliana foi encontrada morta cerca de 600 metros abaixo da trilha, quatro dias após o desaparecimento. Nas redes sociais, brasileiros passaram a inundar o perfil do presidente indonésio, Joko Widodo, no Instagram, acusando o governo local de negligência e demora no resgate.

Além da dor da perda, a família da jovem agora enfrenta um desafio adicional: os altos custos com o translado do corpo ao Brasil. A legislação brasileira, por meio da Lei 9.199/2017, não prevê que o governo federal arque com despesas relacionadas ao sepultamento ou ao transporte de brasileiros falecidos no exterior, exceto em casos médicos específicos ou de atendimento emergencial de caráter humanitário.

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“A assistência consular não inclui o pagamento de despesas com sepultamento e translado de corpos de brasileiros falecidos no exterior, nem despesas com hospitalização”, diz o trecho da lei.

Diante disso, parentes e amigos terão que mobilizar recursos próprios para trazer Juliana de volta ao país. A prioridade do Itamaraty, até o momento, tem sido prestar apoio à família e acompanhar de perto o processo de resgate. Três funcionários da embaixada brasileira foram deslocados para a região onde ocorreu o acidente, localizada a mais de 1.200 km da capital Jacarta.

O caso causou desconforto também no governo brasileiro. Informações de bastidores indicam que o presidente Lula teria feito cobranças diretas ao governo da Indonésia, em razão da repercussão negativa e da comoção nacional. A tragédia acontece a poucas semanas da visita oficial de Joko Widodo ao Brasil, quando ele participará da cúpula do Brics e de um encontro bilateral com Lula — o episódio pode impactar o clima diplomático entre os países.

Durante os quatro dias em que Juliana esteve desaparecida, circularam informações desencontradas. A família chegou a receber, no primeiro dia, um vídeo falso sugerindo que ela ainda estaria viva, o que agravou a dor dos parentes.

Itamaraty estuda revisar orientações a turistas de aventura

Diante do caso, o Ministério das Relações Exteriores estuda atualizar as recomendações feitas a brasileiros que realizam turismo de aventura no exterior. As orientações vigentes são de 2021 e bastante genéricas. Elas atribuem ao próprio viajante a responsabilidade pelas decisões, inclusive em percursos de risco, lembrando que a assistência consular do governo brasileiro, nesses casos, é limitada.

O caso de Juliana e outros episódios semelhantes levaram o Itamaraty a reavaliar os critérios sugeridos para contratação de empresas, os equipamentos mínimos a serem levados e as condições de segurança. Ainda assim, o órgão reforça que essas recomendações têm caráter apenas orientativo.

Mesmo em regiões onde o governo já publicou avisos de risco, como o Oriente Médio, diversos brasileiros seguem viajando — o que limita a atuação consular diante de emergências.

Enquanto a apuração sobre eventuais negligências por parte da empresa responsável pela trilha e das autoridades locais ainda está em curso, a tragédia de Juliana expõe os desafios enfrentados por brasileiros em viagens internacionais de risco e reacende o debate sobre a proteção a cidadãos no exterior.