9 de julho de 2026

Perfuração na Foz do Amazonas carrega “potencial de risco para uma catástrofe ambiental”, alerta especialista

Perfuração na Foz do Amazonas carrega “potencial de risco para uma catástrofe ambiental”, alerta especialista
Perfuração na Foz do Amazonas carrega “potencial de risco para uma catástrofe ambiental”, alerta especialista

A autorização do Ibama para que a Petrobras perfure um poço exploratório em águas profundas na Foz do Rio Amazonas reacendeu o debate sobre os limites ambientais da política energética brasileira. O economista ambiental Alessandro Azzoni afirmou em entrevista ao portal LeoDias que, embora a licença seja apenas para uma fase de testes geológicos, o potencial de impacto ambiental continua a ser grave.

Segundo Azzoni, a perfuração no bloco FZA-M-059 envolve técnicas avançadas de exploração offshore, mas também riscos significativos, mesmo sem produção ativa. “Trata-se de operação em águas profundas com técnicas avançadas de perfuração offshore. Daí que surgem os riscos ambientais. A licença do Ibama demorou mais de 5 anos, apesar da Petrobras deixar de cumprir as exigências do órgão licenciador, o que gerou o arquivamento do pedido de licença ambiental. Portanto, mesmo em fase exploratória, estariam sujeitos a derramamento de óleo e contaminantes, por vazamento, mesmo que em pequenos volumes, causando danos irreversíveis aos recifes de corais recém descobertos e a diversa fauna marítima, sem contar o comprometimento de toda cadeia alimentar e pesqueira local”, alertou, mencionando também a rica biodiversidade da região.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Foto: Gustavo Denuncio petrobrasDivulgação: Petrobras “Não vamos abrir mão da nossa riqueza”, diz Lula ao defender exploração do petróleoReprodução: Agência Brasil Obras da COP 30 em Belém, no ParáDivulgação: Agência Pará COP30Reprodução: Internet

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O especialista lembrou ainda que a Petrobras acumula um histórico de infrações ambientais que, em sua visão, deveria tornar o processo de licenciamento ainda mais rigoroso. “Nos últimos 10 anos, mais de 3 mil multas foram aplicadas pelo Ibama contra a Petrobras, somando algumas centenas de milhões de reais, o que agrava ainda mais as exigências do órgão licenciador Ibama para conceder uma licença ainda que em fase exploratória a uma empresa que possui históricos de passivos ambientais em suas plataformas”, afirmou.

Para ele, mesmo com planos de contingência e simulações de emergência, o risco operacional permanece alto. “Podemos considerar que os riscos operacionais e acidentes, são inerentes à operação; mesmo com os planos de contingências e infraestrutura de resposta rápida, o potencial risco para um catástrofe ambiental em águas profundas permanece. Temos que mencionar também os impactos indiretos do impacto econômico em decorrência das operações petrolíferas”, acrescentou ele.

Azzoni também criticou o que considera uma contradição política entre o discurso ambiental do governo e a decisão de autorizar a perfuração a poucas semanas da COP30, conferência climática da ONU que será realizada em Belém, no Pará. “O país corre o risco de tomar essa decisão como um ponto negativo nos fóruns globais, justamente quando se espera uma postura mais firme e alinhada com a agenda de sustentabilidade”.

O economista reconhece a importância da soberania energética, mas pondera que ela não pode vir à custa da coerência ambiental. “O governo busca sua soberania energética, o que envolve o aumento da produção de petróleo. Lembrando que com a exploração, o Brasil subiria no ranking de produtores de petróleo e diminuiria a dependência internacional; o que vai na contramão da política ambiental e climática da COP30, que visa reduzir a dependência de combustíveis fósseis e busca outras matrizes energéticas. Portanto, essa ação pode ser vista como uma contradição significativa que afeta a confiança do Brasil como líder climático”, disse.

Em nota oficial, a Petrobras informou que cumpriu todas as exigências do Ibama e que a operação seguirá os “mais altos padrões internacionais de segurança e responsabilidade ambiental”. A fase exploratória deve durar 5 meses e tem como objetivo avaliar a existência de petróleo e gás em escala comercial.

Para Azzoni, no entanto, o dilema é mais profundo. “Mesmo com toda a estrutura técnica apresentada para mitigar riscos, o passivo ambiental de multas não pagas ou contestadas e os episódios históricos indicam que uma operação na Foz do Amazonas pode enfrentar desafios para garantir um impacto ambiental zero. Por este motivo essa exploração é coberta de tantas exigências e controvérsias”, concluiu.

Organizações ambientais e movimentos sociais já anunciaram que vão recorrer à Justiça contra a decisão do Ibama, já que a categoria considera a situação um ato de retrocesso às políticas climáticas prometidas pelo Brasil.