10 de junho de 2026

Bolsonaristas querem impedir aprovação acelerada de PL sobre misoginia

Bolsonaristas querem impedir aprovação acelerada de PL sobre misoginia
Bolsonaristas querem impedir aprovação acelerada de PL sobre misoginia

Senadores bolsonaristas recorreram contra uma decisão da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) de aprovar, sem passar pelo plenário, um projeto de lei que criminaliza a misoginia. Os parlamentares de oposição pleiteiam que todos os senadores possam debater e votar.

De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB), o projeto busca equiparar a misoginia aos crimes de preconceito já previstos na lei, que protegem contra discriminação por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A proposta tem como objetivo proteger mulheres contra atos de ódio e discriminação.

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9 imagensSenador Marcos RogérioSenador Magno Malta (PL)Senador Rogério MarinhoSenador Carlos Portinho (PL)Senador Wilder de MoraisFechar modal.1 de 9

Senador Flávio Bolsonaro

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto2 de 9

Senador Marcos Rogério

Edilson Rodrigues/Agência Senado3 de 9

Senador Magno Malta (PL)

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto4 de 9

Senador Rogério Marinho

MICHAEL MELO/METRÓPOLES
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Senador Carlos Portinho (PL)

Vinicius Schmidt/Metrópoles6 de 9

Senador Wilder de Morais

Reprodução7 de 9

Senador Jorge Seif

Agência Senado8 de 9

Senador Luis Carlos Heinze

Waldemir Barreto/Agência Senado9 de 9

Senador Eduardo Girão

Waldemir Barreto/Agência Senado

Atualmente, não existe no Brasil um tipo penal específico que trate a misoginia como crime autônomo. No entendimento geral de juristas e especialistas em direitos humanos, condutas motivadas por ódio ou aversão a mulheres podem ser enquadradas em dispositivos gerais, como injúria, difamação, ameaça ou violência doméstica, mas não há uma previsão legal que reconheça a misoginia de forma clara e sistemática como motivo discriminatório passível de punição autônoma. É justamente essa lacuna que o projeto busca preencher.

No recurso, os senadores bolsonaristas reforçam que não se opõem ao mérito da proposta, mas apontam a necessidade de aperfeiçoamento técnico. Eles sustentam que a definição de misoginia adotada no texto é “ampla e imprecisa”, podendo levar a interpretações excessivas e à eventual criminalização de condutas que não configuram real ódio ou aversão às mulheres.

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Além disso, ao incluir a misoginia na lei penal, os crimes passariam a ser inafiançáveis e imprescritíveis, o que reforçaria a necessidade de debate mais aprofundado sobre os limites e a proporcionalidade da medida. O documento cita ainda que é preciso “equilibrar a proteção da dignidade das mulheres com a preservação de direitos fundamentais, como a liberdade de expressão e a segurança jurídica”.

Quem assinou

O recurso foi apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo) e assinado por outros parlamentares, incluindo Marcos Rogério (PL/RO), Flávio Bolsonaro (PL), Magno Malta (PL), Luis Carlos Heinze (PP), Rogerio Marinho (PL), Marcio Bittar (PL), Alan Rick (União Brasil), Carlos Portinho (PL), Jorge Seif (PL) e Wilder Morais (PL), todos favoráveis à apreciação do projeto pelo plenário.

Comissões do Senado podem aprovar projetos de lei sem passar pelo plenário por meio de um processo chamado “decisão terminativa”. Nesses casos, se a proposição for aprovada na comissão, ela segue diretamente para a Câmara dos Deputados, para sanção presidencial, ou para a promulgação, sem necessidade de votação em plenário no Senado.

Essa possibilidade, contudo, só é válida se a matéria for aprovada por todas as comissões competentes e se não houver um pedido de destaque para votação em plenário.