29 de junho de 2026

MPF apura suposta omissão do governo de SP diante de feminicídios

MPF apura suposta omissão do governo de SP diante de feminicídios
MPF apura suposta omissão do governo de SP diante de feminicídios

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito para investigar uma suposta omissão do governo de São Paulo diante dos crescentes casos de feminicídio e violência de gênero no estado. A promotoria destacou também os cortes orçamentários feitos pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas políticas de combate à violência contra a mulher.

Para fundamentar a instauração do inquérito, o órgão apontou o recorde de casos de feminicídio que a cidade de São Paulo bateu neste ano.

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A promotoria também citou o episódio envolvendo Tainara Souza Santos, de 31 anos, que foi arrastada pelo ex por 1 km na Marginal Tietê, na zona norte da capital paulista, após ele não aceitar o fim do relacionamento e sentir ciúmes ao vê-la com outro rapaz. Ela teve as duas pernas amputadas após o ocorrido. O MPF chamou o caso de “emblemático”.

Também é citado na representação o corte orçamentário promovido pela gestão Tarcísio em áreas ligadas às políticas de proteção às mulheres – a Secretaria de Políticas para a Mulher é a pasta que obteve menos recursos na gestão do governador.

E, além disso, o fato de SP ter concentrado 17% de todos os feminicídios cometidos no país e 24% de todas as lesões corporais decorrentes de violência doméstica no ano passado, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

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Determinações do MPF

A promotoria federal determinou que sejam expedidos ofícios à:

  • Secretaria de Segurança Pública do Governo do Estado para que informe acerca da capacitação dos policiais para atendimento humanizado e acolhedor às vítimas de violência doméstica.
  • Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo para que se manifeste sobre a dotação orçamentária para combate à violência contra a mulher para o ano de 2025 e informe o valor que foi executado, e sobre quais são os equipamentos disponibilizados às vítimas de violência doméstica na gestão municipal.
  • Secretaria de Justiça da Prefeitura de São Paulo para que se manifeste sobre o aumento do número de casos de feminicídios reportado neste ano e sobre as medidas que serão adotadas para seu enfrentamento.
  • Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo para que informe quais medidas adotou para inserir conteúdos de direitos humanos e prevenção às formas de violência contra a mulher nos currículos do ensino infantil, em cumprimento à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
  • Ministério das Mulheres para que informe as medidas que serão adotadas para combate ao número crescente de feminicídios.
  • Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação para que se manifeste sobre as medidas adotadas para dar cumprimento à LDB.

Com os ofícios respondidos, o MPF que agendar uma reunião com representantes da sociedade civil, como do Instituto Maria da Penha e da organização Serenas, bem como do Núcleo de Promoção e Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP) e do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). O objetivo do encontro é articular ações conjuntas para o enfrentamento ao problema.

O Metrópoles solicitou ao governo de SP uma manifestação sobre a instauração do inquérito, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.