18 janeiro 2026

Bebê de 7 meses é internada em estado grave com ferimentos no pescoço após suspeita de maus-tratos em Xapuri

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Bebê foi levada em estado grave para o Hospital de Xapuri com ferimentos no pescoço — Foto: Reprodução
Bebê foi levada em estado grave para o Hospital de Xapuri com ferimentos no pescoço — Foto: Reprodução

Uma bebê de sete meses, moradora do município de Xapuri, no interior do Acre, está internada em estado grave no Hospital da Criança, em Rio Branco, com ferimentos no pescoço e quadro clínico delicado. A criança deu entrada no hospital de Xapuri no dia 31 de dezembro, véspera de Ano-Novo, levada pela avó paterna.

Devido à gravidade do estado de saúde, a bebê foi transferida no dia seguinte para a capital pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo familiares, a criança foi diagnosticada com enterocolite necrosante, uma inflamação intestinal grave que pode provocar a necrose de partes do intestino. A menina já iniciou tratamento e, conforme a família, apresentou leve melhora.

De acordo com relatos, a mãe da bebê, Milena dos Santos, havia deixado a filha sob os cuidados da ex-sogra enquanto passava o Réveillon com os outros dois filhos, de 4 e 2 anos. Ao receber a neta, a avó percebeu diversos ferimentos pelo corpo da criança, sendo um deles mais grave na região do pescoço.

Familiares chegaram a gravar um vídeo mostrando o local da lesão, que apresentava inflamação intensa e secreção. A bebê chorava constantemente ao ter a área tocada.

Em entrevista, a tia da criança, Jaqueline Pereira, de 26 anos, afirmou que a família já havia denunciado a mãe ao Conselho Tutelar de Xapuri em outras ocasiões por suspeita de maus-tratos contra os três filhos. Segundo ela, as crianças viveriam em situação de negligência, com alimentação inadequada e falta de higiene.

“Minha mãe viu os ferimentos e a levou ao hospital. De lá, transferiram para Rio Branco. Meu irmão perguntava pela menina, mas ela dizia que estava tudo bem. Ele trabalha na zona rural e ela não deixava a gente ver a criança, sempre dava uma desculpa. Nem as vacinas ela tinha dado”, relatou.

Ainda conforme Jaqueline, a bebê chegou ao Hospital de Xapuri com quadro de desnutrição severa, deficiência de proteínas, lesões decorrentes da má nutrição e inchaço generalizado. A equipe médica teria alertado os familiares sobre o risco iminente de morte por infecção ou hipoglicemia.

O Conselho Tutelar foi acionado pelos profissionais de saúde. “Ela chegou em estado gravíssimo, com apenas 30% de chance de sobreviver. Estava muito inchada, não conseguiam acesso venoso e iniciaram a medicação por via oral. A mãe não fez questão de acompanhar a filha na transferência para a capital”, afirmou a tia.

Atualmente, a bebê está sendo acompanhada por uma tia em Rio Branco. Jaqueline informou ainda que a família já fez pelo menos três denúncias ao Conselho Tutelar de Xapuri, sendo a primeira após um episódio em que a criança teria sofrido queimaduras com café quente no ano passado.

“Sempre que a menina ficava com a gente, levávamos ao hospital porque estava doente. Chamávamos o conselho, que ia até lá. Uma vizinha contou que ela tinha sido queimada com café. Tiramos fotos e acionamos o Conselho Tutelar, que levou a mãe e a bebê ao hospital”, relembrou.

Segundo os familiares, a mãe teria bloqueado parentes no telefone e dificultado o contato com a criança. “Ela só ligava quando precisava deixar a menina com minha mãe. O conselho dizia que não podia fazer nada”, lamentou Jaqueline.

Além das denúncias ao Conselho Tutelar, o caso também foi levado ao Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC). A denúncia foi feita por Maria Aparecida de Souza e Souza, tia do filho de 4 anos da mulher.

“O conselho procurou ela no sábado (3) e deu orientações. Por enquanto, as crianças estão sendo cuidadas e não estão na rua. O MP disse que vai acompanhar o caso”, explicou. Maria Aparecida afirmou que decidiu procurar o MP após tomar conhecimento da situação da bebê. “Sempre que o conselho ia à casa, estava tudo aparentemente normal. Depois, não apareceram mais”, criticou.

Ela também relatou que o sobrinho não tem acesso aos familiares por impedimento da mãe. “Moro perto e sempre ouvia a bebê chorando. Sabia que não estava bem. Acionamos o conselho várias vezes”, completou.

Posicionamento do Conselho Tutelar

Em nota, o Conselho Tutelar de Xapuri informou que a situação foi registrada, analisada e acompanhada, com a adoção das providências cabíveis dentro da competência do órgão, respeitando os trâmites legais, o sigilo das informações e a proteção integral da criança.

O órgão ressaltou que, por força de lei, não pode divulgar detalhes dos atendimentos para preservar a intimidade, dignidade e segurança das partes envolvidas, reafirmando o compromisso com a defesa dos direitos da criança e do adolescente e colocando-se à disposição dos órgãos de controle e da comunidade para esclarecimentos institucionais.

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