
Após ações na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar tensão internacional ao ameaçar a Groenlândia, ilha autônoma controlada pela Dinamarca e membro da Otan. As declarações de Trump sobre anexar o território criaram uma situação sem precedentes para a aliança militar, que tem como princípio a defesa coletiva: um ataque a um aliado é considerado ofensiva contra todos.
Segundo fontes, autoridades britânicas se reuniram com aliados, como Alemanha e França, para avaliar a possibilidade de uma missão de segurança reforçada na ilha. A Groenlândia tem direito à autodeterminação, podendo decidir sobre sua independência por meio de referendo, mas a política externa e a defesa permanecem sob responsabilidade da Dinamarca.
O interesse dos EUA no território se deve à posição estratégica no Ártico, à presença de uma base militar norte-americana voltada à defesa antimísseis e ao potencial econômico, incluindo reservas de minerais estratégicos e possíveis jazidas de petróleo e gás.
Na última segunda-feira (12/1), a Otan e autoridades groenlandesas anunciaram a intenção de reforçar a defesa do território, com aumento da presença militar no Ártico, visando dissuadir Trump de seguir com suas ambições de anexação. A operação ainda está em fase de planejamento.
As ameaças de Trump remontam à sexta-feira (9/1), quando afirmou que os EUA tomarão “alguma providência” para anexar a Groenlândia, “do jeito fácil ou do jeito difícil”. Segundo ele, a ação seria necessária para impedir que Rússia e China ocupem a ilha, considerada estratégica e rica em minerais. Trump declarou:
“Vamos fazer algo na Groenlândia, quer eles gostem ou não. Porque se não fizermos, a Rússia ou a China vão tomar a Groenlândia, e não vamos querer a Rússia ou a China como vizinhas. Entendeu? Eu gostaria de fazer um acordo, do jeito fácil, mas se não fizermos do jeito fácil, vamos fazer do jeito difícil.”
A declaração aumentou a tensão com aliados europeus. O comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, sugeriu que a União Europeia pense na criação de uma força militar conjunta, capaz de substituir tropas dos EUA no continente, caso seja necessário.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu duramente, afirmando que o mundo enfrentaria uma crise sem precedentes se os EUA ameaçarem tomar o território pela força. Frederiksen destacou que a situação coloca a Dinamarca, a Europa e os aliados da Otan em uma “encruzilhada” frente às ações norte-americanas.






