10 fevereiro 2026

Palmeira “albina” inédita é encontrada na Amazônia acreana e intriga pesquisadores

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Foto: O Eco

Pesquisadores identificaram, pela primeira vez, dois exemplares de palmeira ouricuri sem clorofila, popularmente chamadas de “palmeiras albinas”, na Estação Ecológica Rio Acre, no interior do estado. O achado inédito intriga a comunidade científica, já que não há registros anteriores dessa condição para a espécie.

A palmeira, de nome científico Attalea phalerata, foi encontrada durante uma atividade de campo voltada à amostragem da vegetação na unidade de conservação federal. A ausência de clorofila impede a planta de realizar fotossíntese, processo essencial para sua sobrevivência.

Segundo a professora Rita Portela, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os dois exemplares ainda são jovens e já não dependem mais do fruto de origem, o que aumenta as incertezas sobre o desenvolvimento das plantas.

“São dois indivíduos pequenos, mas já estão desconectados do fruto. A gente não sabe como vai ser a sobrevivência deles, justamente porque não possuem clorofila”, explicou a pesquisadora.

Rita Portela, que atua há cerca de 20 anos com estudos envolvendo palmeiras, afirma que não encontrou registros científicos de albinismo nessa espécie. De acordo com ela, os poucos relatos existentes na literatura envolvem plantas cultivadas ou espécies utilizadas em laboratório, como tabaco, cacau e a Arabidopsis thaliana.

Foto: O Eco

A expedição científica integra uma disciplina de campo realizada em parceria entre os programas de pós-graduação em Ecologia da UFRJ e da Universidade Federal do Acre (UFAC).

Considerada uma das áreas mais preservadas da Amazônia brasileira, a Estação Ecológica Rio Acre possui cerca de 80 mil hectares e é administrada pelo governo federal. O ouricuri tem papel fundamental no equilíbrio do ecossistema local, já que seus frutos são amplamente consumidos pela fauna, sendo classificados como recurso-chave para diversas espécies.

Os exemplares agora passarão por monitoramento oficial. De acordo com a pesquisadora, o acompanhamento será feito pelo ICMBio, que avaliará por quanto tempo as plantas conseguem sobreviver sem clorofila e como será o desenvolvimento ao longo do tempo.

Informações via O Eco.

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