O Acre aparece entre os estados brasileiros com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O levantamento aponta que o estado alcançou 91,9% de equivalência salarial, um dos melhores índices do país.
Na prática, quanto mais próximo de 100%, menor é a diferença entre os salários pagos a homens e mulheres. Os dados fazem parte do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, publicado na última segunda-feira (27).
O estudo analisou informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e considerou cerca de 53 mil empresas com 100 ou mais funcionários em todo o Brasil, no período entre 2023 e 2025.
Apesar do bom desempenho do Acre, a desigualdade salarial ainda existe. Em nível nacional, mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas de grande porte.
No estado, os números também mostram essa diferença. A remuneração média das mulheres é de R$ 2.356,89, enquanto a dos homens chega a R$ 2.565,24.
A desigualdade se torna mais evidente conforme o nível do cargo. Em funções operacionais, as mulheres recebem cerca de 79,7% do salário dos homens. Já em cargos de liderança, essa proporção sobe para 85,3%, embora ainda exista diferença significativa.
Dados de levantamentos anteriores já indicavam que essa disparidade pode ser ainda maior em posições de chefia, chegando a mais de 30% em alguns casos.
O recorte por raça também revela diferenças importantes. Mulheres negras recebem, em média, R$ 2.298,54, enquanto mulheres não negras têm rendimento médio de R$ 2.565,32. Entre os homens, os não negros apresentam os maiores salários médios, com R$ 2.821,54, acima dos homens negros, que recebem R$ 2.499,67.
O relatório também aponta avanços nas políticas internas das empresas. No Acre, 64,6% das organizações já adotam plano de cargos e salários ou plano de carreira. Além disso, 15,2% possuem iniciativas voltadas à contratação de mulheres LGBTQIAP+.
No cenário nacional, houve crescimento da participação feminina no mercado de trabalho. O número de mulheres empregadas aumentou 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões.
Empresas também ampliaram ações como jornada flexível, auxílio-creche e programas de promoção de mulheres. Mesmo assim, a diferença salarial ainda se mantém.
A divulgação dos dados atende à Lei nº 14.611, sancionada em 2023, que estabelece medidas para garantir igualdade salarial entre homens e mulheres, além de exigir transparência e ações contra discriminação no ambiente de trabalho.


