O afastamento inesperado do narrador Luís Roberto das transmissões esportivas da TV Globo após diagnóstico de neoplasia na região cervical acendeu o alerta e levantou questionamentos sobre a condição médica do jornalista. Para explicar o que envolve uma neoplasia cervical, o portal LeoDias conversou com a médica cirurgiã especialista em Cabeça e Pescoço, Dra. Camila Botelho Leite Martins, do Hospital São Marcos, que detalhou desde a origem da doença até as possibilidades de tratamento e recuperação.
De acordo com a especialista, o termo neoplasia é amplo e não se restringe a uma região específica do corpo. “Neoplasia é um termo médico utilizado para descrever o crescimento anormal e descontrolado de células, que pode originar tumores benignos ou malignos, como o câncer. Ela pode surgir em qualquer parte do corpo. A região cervical, que compreende o pescoço, é apenas uma das possíveis localizações, não necessariamente a mais comum, mas é uma área onde podem aparecer tumores importantes, especialmente de cabeça e pescoço”, iniciou a especialista.
Veja as fotosAbrir em tela cheia O narrador Luís RobertoCrédito: Reprodução O narrador Luís RobertoCrédito: Divulgação O narrador Luís RobertoCrédito: Léo Rosário – Globo O narrador Luís RobertoCrédito: Reprodução Luís RobertoCrédito:Daniela Taviansky Reprodução/Globo Reprodução/Globo Reprodução/Globo
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Sobre o diagnóstico, a médica explica que o processo envolve diferentes etapas até a confirmação. “O diagnóstico geralmente começa com exame clínico detalhado. Em seguida, exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética ajudam a avaliar a extensão da lesão. No entanto, a confirmação definitiva é feita por meio de biópsia, que permite analisar o tecido e definir se é uma neoplasia maligna.”
A localização do tumor, segundo a especialista, é um fator determinante tanto para o tratamento quanto para o prognóstico do paciente. “Sim, influencia bastante. A localização pode impactar estruturas importantes como vias respiratórias, vasos sanguíneos e nervos. Tumores mais próximos de áreas críticas podem exigir abordagens mais complexas e multidisciplinares, além de influenciar diretamente o prognóstico”, explicou.
Entre os primeiros sinais de alerta, a médica destaca sintomas que muitas vezes podem ser negligenciados. “Os principais sinais de alerta incluem: caroço no pescoço que não desaparece e/ou aumentam no decorrer do tempo, dor cervical persistente, dificuldade para engolir, rouquidão prolongada, feridas que não cicatrizam na boca ou na pele e perda de peso sem causa aparente.”
Já em estágios mais avançados, o quadro tende a se agravar de forma perceptível. “Quando há aumento rápido do volume do tumor, dor intensa, dificuldade para respirar ou engolir, sangramentos e comprometimento geral do estado de saúde, como fraqueza e emagrecimento acentuado, geralmente estamos diante de um quadro mais avançado.”
Em relação ao tratamento, a cirurgia costuma ser uma das principais abordagens, dependendo do estágio da doença. “A cirurgia é indicada principalmente quando o tumor está localizado e pode ser removido com segurança. Em muitos casos, ela é o primeiro passo do tratamento, podendo ser associada à radioterapia e/ou quimioterapia, dependendo do estágio da doença.”
A especialista também ressalta a importância do diagnóstico precoce para aumentar as chances de cura. “Quando diagnosticada precocemente, as chances de cura são significativamente maiores e podem ser bastante altas, dependendo do tipo específico do tumor. O diagnóstico precoce é sempre o principal aliado do paciente.”
O processo de recuperação pode variar de acordo com o tipo de tratamento adotado. “A recuperação varia conforme o tipo de tratamento realizado. Cirurgias mais simples têm recuperação mais rápida, enquanto tratamentos combinados podem exigir um período maior. O paciente pode precisar de reabilitação, acompanhamento nutricional e suporte multiprofissional.”
Mesmo após o tratamento, há possibilidade de retomada da rotina, embora isso dependa de cada caso. “Sim, em muitos casos é possível retomar a rotina normal, especialmente quando o diagnóstico é precoce. Alguns pacientes podem apresentar limitações temporárias ou permanentes, mas com acompanhamento adequado, a qualidade de vida pode ser muito boa.”
Por fim, a médica alerta para os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de tumores na região cervical. “Os principais fatores de risco incluem tabagismo, consumo excessivo de álcool, infecção por HPV (Papilomavírus Humano), exposição solar excessiva (no caso de lábios), além de histórico familiar e hábitos de vida inadequados”, finalizou.


