3 de junho de 2026

Justiça determina melhoria no atendimento de paciente internado há anos em hospital do Acre

Justiça determina melhoria no atendimento de paciente internado há anos em hospital do Acre
Decisão atende pedido da Defensoria Pública e aponta falhas no acompanhamento em saúde mental

A garantia de um tratamento adequado em saúde mental levou a Defensoria Pública do Acre a acionar a Justiça, que determinou a regularização do atendimento de um paciente internado há longo período no Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac), em Rio Branco.

O caso envolve um jovem de 24 anos que está internado desde 2022 e possui histórico de sucessivas internações. A situação foi levada ao Judiciário após a identificação de falhas no acompanhamento clínico e na adoção de medidas terapêuticas adequadas.

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A ação foi conduzida pelo Núcleo de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da População Imigrante e Refugiada, População em Situação de Rua e Saúde Mental (Nupirps), coordenado pela defensora pública Flávia Nascimento. Segundo a Defensoria, o atendimento prestado ao paciente era fragmentado, sem acompanhamento psicológico regular e com avaliações psiquiátricas realizadas apenas em momentos de crise.

Também foi apontada a ausência de um Plano Terapêutico Singular efetivo, além de registros que indicam períodos sem visitas médicas e manutenção do paciente em isolamento prolongado, sem um plano estruturado de reabilitação. De acordo com o órgão, o tratamento vinha sendo baseado, em grande parte, apenas no uso de medicação, sem atuação integrada de uma equipe multiprofissional.

Ao analisar o caso, a Justiça reconheceu as falhas e destacou que o atendimento em saúde mental deve ser contínuo, humanizado e realizado por equipe multidisciplinar. A decisão ressalta que a ausência de acompanhamento regular e de um plano terapêutico adequado representa risco ao paciente e configura descumprimento do dever do Estado de garantir o direito à saúde.

Com a decisão, o Estado do Acre deverá adotar medidas para regularizar o atendimento, incluindo a elaboração ou atualização do Plano Terapêutico Singular, a apresentação de relatório clínico detalhado e a garantia de acompanhamento psiquiátrico e psicológico compatível com o quadro do paciente.

A determinação judicial tem como base a Lei nº 10.216/2001, que orienta a política de saúde mental no Brasil e prevê tratamento integral, com foco no cuidado contínuo e na reinserção social. O caso evidencia a crescente judicialização de demandas na área de saúde mental, especialmente diante de falhas na oferta de atendimento adequado.