As mudanças nos desfechos dos vilões de “Três Graças” movimentaram os bastidores da novela das nove da Globo, mas uma coisa permaneceu intacta desde o início do projeto: a preocupação dos autores em punir os antagonistas da história.
Antes mesmo da trama ser aprovada pela emissora, Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva já deixavam claro, na sinopse entregue à direção de dramaturgia da Globo, que os vilões da novela precisariam pagar por seus crimes. O documento entregue à Globo ainda reforçava a visão clássica de Aguinaldo Silva sobre o folhetim tradicional. “Todos os subalternos de Ferette (Murilo Benício) também serão punidos, pois, nisso, novela é sempre exemplar: a cada vilão o seu castigo”, escreveram os autores.
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A sinopse — documento usado pelos autores para apresentar e vender a novela à emissora — detalhava não apenas os conflitos centrais da história, mas também o destino reservado aos principais antagonistas da trama.
No texto original, Ferette (Murilo Benício) conseguiria fugir para a Europa após acumular milhões em contas secretas no exterior. Mesmo longe do Brasil, porém, seguiria sendo perseguido pela Interpol e acabaria vivendo escondido em um local remoto, tomado pelo medo de ser encontrado. A ideia inicial dos autores era ainda mais cruel: o empresário seria assassinado pelo filho de uma de suas vítimas.
Esse desfecho, no entanto, acabou sendo alterado ao longo da produção. Na versão que irá ao ar, Ferette terminará preso. Doente, o vilão dependerá justamente dos medicamentos distribuídos pela Fundação Três Graças — instituição criada a partir do império que um dia pertenceu a ele próprio.
Samira (Fernanda Vasconcellos), envolvida no esquema de comércio ilegal de bebês, também escapará da morte prevista originalmente pelos autores. Na sinopse, o texto era direto ao afirmar que a personagem “merecia morrer” e teria “uma morte do modo mais cruel possível”. Na novela, porém, ela também terminará presa.
Já Arminda (Grazi Massafera) seguirá praticamente o caminho pensado desde o início da novela. Na sinopse original, a personagem era denunciada pelo marido, Rogério (Eduardo Moscovis), como corresponsável por uma tentativa de assassinato ligada ao pacto criminoso que mantinha com Ferette. Presa, fingiria insanidade mental para evitar a cadeia e conseguiria cumprir pena em uma clínica.
Na versão final da novela, a essência do desfecho foi mantida. Arminda será presa pelas mortes de Célio (Otávio Müller) e Edilberto (Julio Rocha), mas conseguirá manipular a própria imagem ao aparentar estar mentalmente abalada.
Mesmo com mudanças feitas nos últimos meses, “Três Graças” preservou a lógica central imaginada desde a criação da trama: ninguém sairia ileso depois de tantos crimes.


