O aguardado filme de “A Viagem” promete mexer justamente em um dos pontos mais marcantes da novela de 1994: a dinâmica da obsessão de Alexandre, agora vivido por Pedro Novaes. Pelo que o primeiro trailer já entregou, a adaptação cinematográfica vai condensar personagens, alterar relações importantes e reposicionar completamente o papel de Diná, interpretada por Carolina Dieckmmann, dentro da história.
Na novela escrita por Ivani Ribeiro, Alexandre era denunciado principalmente por Téo (Maurício Mattar) e acabava desenvolvendo uma perseguição espiritual contra diferentes personagens após a morte. Já no filme, Diná surge como peça central da queda do irmão. É ela quem o entrega à polícia, assumindo uma função que originalmente era de Raul (Miguel Falabella), personagem que ficou de fora da nova versão.
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Essa mudança altera diretamente o eixo dramático da história. O espírito vingativo de Alexandre passa a mirar principalmente a própria irmã, transformando Diná no grande alvo emocional do longa.
Outra diferença importante envolve Téo, que será vivido por Emilio Dantas. Na novela, o personagem sobrevivia e seguia tendo forte participação nos conflitos sobrenaturais. Agora, tudo indica que ele será morto por Alexandre logo no início da trama, em uma das cenas mais impactantes mostradas no trailer. O personagem aparece em uma sequência de tensão antes de ser baleado pelo criminoso.
A adaptação também enxuga vários núcleos clássicos da versão original. Personagens como Raul, Guiomar (Laura Cardoso), Lisa (Andrea Beltrão) e Tato (Felipe Martins) foram retirados do roteiro cinematográfico, numa estratégia clara de tornar a narrativa mais compacta e focada em poucos conflitos centrais.
As mudanças ainda atingem o romance de Diná com Otávio (Rodrigo Lombardi). Na novela, a aproximação entre os dois acontecia de maneira gradual e apenas após a morte de Alexandre. O advogado vivido por Antonio Fagundes, inclusive, atuava diretamente no caso que levou o vilão à prisão. Já no filme, o trailer sugere que Diná e Otávio terão uma ligação afetiva desde o começo da história, enquanto Téo parece ocupar um papel mais distante — possivelmente como ex-marido.
O lado sobrenatural também deve ganhar um peso diferente na adaptação. Uma das cenas exibidas mostra Maroca (Lucinha Lins) preparando um chá e aparentemente interagindo com presenças espirituais, deixando mais explícita a conexão da personagem com o plano espiritual logo desde o início da trama.
Com atmosfera mais sombria, fotografia cinematográfica e um Alexandre bem mais violento, o filme parece apostar menos no tom novelesco da obra original e mais em um suspense psicológico sobrenatural — sem abrir mão da essência espiritual que transformou “A Viagem” em um dos maiores clássicos da dramaturgia brasileira.



