O pastor envolvido no acidente que matou o árbitro Ruan Rhiler Rodrigues Santos, de 23 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) por homicídio doloso, seis meses após a tragédia registrada na rodovia AC-10, em Porto Acre. O caso ganhou um novo capítulo com o pedido para que o motorista seja levado a júri popular.
A denúncia foi apresentada na última quinta-feira (14) e envolve o pastor Carlos Roberto Carneiro Coutinho, motorista da caminhonete apontada como responsável pelo acidente que tirou a vida do jovem árbitro em novembro do ano passado.
Além do enquadramento no artigo 121 do Código Penal, referente ao crime de homicídio, o Ministério Público também pediu que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri e solicitou indenização mínima equivalente a 10 salários mínimos à família da vítima, caso haja condenação.
Pai do árbitro, Fábio Santos afirmou que recebeu a notícia como um alívio, embora ainda exista receio sobre o desfecho do processo.
“Só em saber que a vida do meu filho não vai ser trocada por cestas básicas já é um alívio. Meu filho não voltará, mas pelo menos a gente vai ter uma paz em saber que a morte dele não foi em vão”, declarou.
Ruan Rhiler era árbitro de futebol e integrava a Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol (Ceaf) desde 2019. Dois dias antes do acidente, ele havia trabalhado em uma partida do Campeonato Acreano Sub-15.
Defesa contesta acusação
Ao comentar a denúncia, a defesa do pastor informou que ainda aguarda a citação formal para se manifestar no processo e afirmou que irá contestar o enquadramento por homicídio doloso.
Segundo os advogados, o laudo pericial apontou que a caminhonete trafegava a aproximadamente 66 km/h — abaixo do limite permitido na via, de 100 km/h — e que houve uma frenagem de mais de 20 metros antes do impacto.
Para a defesa, esses elementos demonstrariam tentativa de evitar a colisão, o que afastaria a tese de dolo eventual, quando o investigado assume o risco de produzir o resultado.
“A perícia confirmou uma manobra de frenagem antes do impacto, o que demonstra, tecnicamente, que o condutor agiu para evitar o sinistro”, destacou a nota.
Os advogados sustentam que o caso deve ser tratado como homicídio culposo, sem intenção de matar, e classificaram a denúncia como desproporcional diante das circunstâncias apresentadas pela perícia.
Relembre o caso
De acordo com informações do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), a caminhonete conduzida pelo pastor seguia no sentido Porto Acre/Rio Branco quando teria invadido a pista contrária e atingido frontalmente a motocicleta pilotada por Ruan, que morreu no local.
Na época, o teste do bafômetro realizado no motorista deu negativo para consumo de álcool. Como permaneceu no local e prestou socorro, ele não foi preso em flagrante, conforme prevê a legislação.
Inconformado com a morte do filho, Fábio Santos chegou a acorrentar a motocicleta usada por Ruan em um outdoor com pedidos de justiça e instalou painéis com a foto do jovem em pontos estratégicos de Rio Branco e Porto Acre.
Agora, caberá à Justiça decidir se aceita a denúncia do Ministério Público e se o caso seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Com informações do G1 Acre.


