8 de junho de 2026

Acre figura entre os estados com menor população em situação de rua do país, aponta estudo

Mapeamento demográfico da UFMG baseado no CadÚnico posiciona o território acreano entre os cinco menores contingentes nacionais; São Paulo lidera o ranking de vulnerabilidade social.

Acre figura entre os estados com menor população em situação de rua do país, aponta estudo

O Acre figura entre as cinco unidades da federação com os menores contingentes de pessoas em situação de rua no Brasil. A constatação integra um mapeamento demográfico estruturado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), braço de pesquisa social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O diagnóstico toma como base os registros atualizados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal.

O relatório aponta que o Brasil alcançou a marca histórica de 388.855 indivíduos vivendo nas ruas em maio de 2026. Apesar da escalada do indicador em termos nacionais, a realidade geográfica e demográfica do Acre mantém o estado posicionado no bloco de indicadores menos alarmantes do país. A distribuição do índice coloca o território acreano no mesmo patamar de controle estatístico verificado em estados como Amapá, Tocantins, Rondônia e Piauí.

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Os dados tabulados pelos pesquisadores da UFMG evidenciam uma severa desigualdade na distribuição geográfica do fenômeno da vulnerabilidade social urbana. A região Sudeste funciona como o principal polo de concentração desse público, abrigando seis em cada dez brasileiros que dormem nas ruas. O estado de São Paulo desponta isolado na liderança do ranking nacional, contabilizando 159.290 registros oficiais — o que equivale a cerca de 40% de toda a população de rua do país —, seguido por Rio de Janeiro (35.406) e Minas Gerais (34.849).

Se por um lado o Acre consegue manter suas taxas de população de rua em patamares residuais, a região Norte enfrenta uma crise humanitária aguda concentrada em Roraima. Impulsionado pelo fluxo migratório transfronteiriço e pela fragilidade das políticas de acolhimento na Amazônia Setentrional, o estado roraimense viu sua população de rua saltar de 2.537 pessoas para 10.520 no recorte temporal analisado, com forte impacto na capital, Boa Vista. O estudo conclui que as capitais estaduais tendem a absorver quase a totalidade dos desabrigados de suas respectivas regiões.

Por: Victor Bastos