O julgamento dos acusados pela morte do menino Henry Borel ganhou novos e dramáticos contornos com o depoimento impactante de Monique Medeiros, mãe da vítima. Diante do corpo de jurados, ela quebrou o silêncio sobre a rotina de terror que o filho enfrentava nos bastidores da dinâmica familiar. Em um relato marcado por forte emoção e detalhes perturbadores, Monique revelou que a criança apresentava sinais claros de pânico físico e psicológico na presença do ex-padrasto, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. De acordo com o depoimento oficial, o menino chorava constantemente e chegava a tremer dos pés à cabeça toda vez que percebia a aproximação ou precisava ficar sozinho na companhia do acusado.
A oitiva de Monique era uma das mais aguardadas pelas equipes de acusação e defesa, servindo para traçar a linha do tempo dos abusos que culminaram na tragédia que chocou o país. Durante o interrogatório, a ré buscou se posicionar também como uma vítima de um relacionamento abusivo e manipulador, afirmando que demorou a compreender a gravidade dos sinais que o filho emitia devido ao processo de isolamento e controle emocional exercido por Jairinho. Ela descreveu episódios em que o ex-parlamentar demonstrava oscilações bruscas de humor e mantinha um comportamento intimidador dentro da residência, o que criava uma atmosfera de medo constante que silenciava qualquer tentativa de denúncia imediata.
Os assistentes de acusação e os promotores de Justiça, no entanto, confrontaram duramente as declarações de Monique, apontando contradições entre a sua versão atual e as mensagens de texto recuperadas pela perícia técnica em seu aparelho celular na época do crime. Os promotores ressaltaram que a mãe tinha conhecimento das agressões e das sessões de tortura sofridas pelo filho e, mesmo assim, optou por se omitir para manter o padrão de vida e a estabilidade financeira proporcionados pelo relacionamento com o político. A estratégia da acusação foca em demonstrar que houve cumplicidade por omissão dolosa, uma vez que o dever legal de proteção da mãe não foi exercido para salvar a vida de Henry.
A defesa de Dr. Jairinho, por sua vez, tentou desqualificar o depoimento da ex-companheira, alegando que o relato de Monique é uma tentativa desesperada de transferir toda a culpa jurídica para o ex-vereador e conseguir a redução de sua pena ou uma eventual absolvição. Os advogados do réu sustentam a tese de inocência e questionam a validade das provas técnicas apresentadas pelos peritos do Instituto Médico Legal (IML), afirmando que as lesões que causaram a morte do garoto não foram decorrentes de agressões físicas intencionais. O clima no plenário do júri permaneceu tenso, com interrupções frequentes e debates acalorados entre os corpos jurídicos que atuam no caso.
O depoimento também trouxe à tona a dor dos familiares paternos da criança. O pai de Henry Borel, que acompanha todas as sessões do julgamento na plateia do tribunal, demonstrou profunda indignação com as revelações e com o jogo de empurra-empurra entre os dois réus. Através de seus representantes legais, a família paterna reforçou o clamor por justiça e por uma sentença condenatória máxima que sirva de exemplo no combate à violência doméstica contra crianças e adolescentes no Brasil. O caso reacende o debate nacional sobre a eficácia das redes de proteção e a necessidade de canais de denúncia mais ágeis e eficientes.
O julgamento deve se estender pelos próximos dias com a oitiva de testemunhas remanescentes, peritos criminais e o interrogatório final de Dr. Jairinho antes que os jurados se reunam na sala secreta para proferir o veredito. A cobertura jornalística segue mobilizada no tribunal, acompanhando cada passo do desfecho de um dos processos criminais mais complexos e de maior apelo social da história recente do judiciário brasileiro. A expectativa jurídica é de que as sentenças reflitam a gravidade dos fatos expostos nas detalhadas e dolorosas sessões de depoimentos.
Serviço da Ocorrência:
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O quê: Depoimento de Monique Medeiros no julgamento do Caso Henry Borel
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Revelação: Mãe afirma que o filho tremia de medo e chorava ao ver Dr. Jairinho
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Acusação: Promotoria aponta omissão dolosa e cumplicidade por parte da mãe para manter relacionamento
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Defesa: Advogados de Jairinho alegam que Monique mente para tentar transferir a culpa e se salvar
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Desfecho: Julgamento segue com depoimentos técnicos antes da decisão final do conselho de sentença
Por: Victor Bastos


