8 de junho de 2026

Fenômeno que derrubou ponte devastou área de 16 mil m² ao redor, diz construtora

Empresa afirma que movimentação do solo alcançou região muito maior que a própria estrutura e aponta indícios de processo geotécnico conhecido como "terras caídas".

Fenômeno que derrubou ponte devastou área de 16 mil m² ao redor, diz construtora

A Construtora Cidade emitiu uma nota oficial informando que o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, ocorrido na última sexta-feira (5) em Sena Madureira, pode estar diretamente relacionado a um processo severo de instabilidade geológica. De acordo com os levantamentos técnicos preliminares realizados pelas equipes de engenharia em campo, a movimentação de massa do solo atingiu uma área estimada de aproximadamente 16 mil metros quadrados no entorno da estrutura viária.

Os relatórios técnicos apontam que os deslocamentos de terra e os desníveis topográficos superaram o perímetro físico da própria ponte, estendendo-se para áreas adjacentes do bairro localizado nas proximidades da cabeceira. Sinais visuais de fadiga do terreno, como rachaduras profundas e movimentações estruturais, começaram a ser monitorados por especialistas em engenharia estrutural, fundações e topografia cerca de uma semana antes do colapso definitivo, apresentando uma evolução acelerada nos dias que antecederam o incidente.

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Diante do agravamento das condições de segurança do terreno, a construtora informou que encaminhou uma recomendação formal e expressa ao Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) na quinta-feira (4), por volta das 13h, solicitando a interdição total da ponte Frei Paolino Baldassari, incluindo o bloqueio para a passagem de pedestres. A estrutura já vinha sofrendo restrições parciais devido ao avanço das fissuras observadas nas cabeceiras de acesso.

A avaliação técnica preliminar da empresa sustenta que as características do colapso possuem indícios claros do fenômeno geotécnico conhecido no ambiente amazônico como “terras caídas”. Este processo natural é desencadeado pela erosão intensa das margens e pelas oscilações sazonais do nível dos rios, provocando o desmoronamento de grandes massas de solo que, dependendo da magnitude, ganham força suficiente para romper a estabilidade de obras de infraestrutura de grande porte.

A Construtora Cidade ressaltou que as conclusões divulgadas são de caráter inicial e que estudos complementares mais profundos seguem em andamento sob a condução de especialistas em geotecnia, hidrologia e estruturas. O comunicado reforça ainda que a ponte foi edificada estritamente sob as normas técnicas de engenharia vigentes e recebida de forma oficial pelo Deracre no fim de 2023, sem apresentar qualquer registro de anomalia estrutural ao longo de seu período de operação regular. O caso segue sob investigação oficial dos órgãos competentes.

Por: Victor Bastos