6 de junho de 2026

Engenheira aponta fenômenos naturais e questiona estudos realizados na Ponte Frei Paolino Baldassari

Especialista afirma que fenômenos naturais típicos da região amazônica podem ter contribuído para o colapso da estrutura.

Engenheira aponta fenômenos naturais e questiona estudos realizados na Ponte Frei Paolino Baldassari
Foto: Reprodução.

A queda da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, continua repercutindo entre especialistas da área de engenharia em todo o país. Nas redes sociais, a engenheira civil Marília Araújo, especialista em patologia das construções e engenharia diagnóstica, publicou uma análise técnica sobre possíveis fatores que podem ter contribuído para o desabamento da estrutura.

Segundo a profissional, o fenômeno que pode ter afetado a ponte envolve uma combinação de fatores geológicos, hidrológicos e ambientais, muito comuns em regiões amazônicas.

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Marília explicou que a correnteza dos rios pode provocar, ao longo do tempo, a erosão da base das margens, retirando o suporte natural do terreno. Durante os períodos de cheia, o solo absorve grande quantidade de água. Quando ocorre uma vazante rápida, a água interna do solo não acompanha a mesma velocidade de descida do rio, gerando instabilidade e favorecendo deslizamentos de terra.

A especialista destacou ainda que o desmatamento das matas ciliares e o aumento dos eventos climáticos extremos podem acelerar esse processo, comprometendo fundações de estradas, residências e obras de infraestrutura construídas próximas às margens.

Apesar das observações técnicas, Marília ressaltou que qualquer conclusão definitiva depende de uma perícia detalhada realizada no local por equipes especializadas.

Entre os pontos que ela considera fundamentais para a investigação estão os estudos geotécnicos realizados antes da construção da ponte, as análises sobre o comportamento sazonal do Rio Iaco e a existência de um sistema permanente de monitoramento das margens após a entrega da obra.

A engenheira também lembrou que a ponte foi inaugurada em dezembro de 2023 e possuía aproximadamente 232 metros de extensão, representando um importante investimento para a mobilidade urbana de Sena Madureira.

Para a especialista, a investigação técnica deverá esclarecer se os fenômenos naturais característicos da região foram devidamente considerados durante o planejamento, execução e acompanhamento da obra.

Enquanto as apurações seguem em andamento por parte dos órgãos competentes, o caso continua mobilizando autoridades, especialistas e a população acreana em busca de respostas sobre as causas do desabamento da ponte que ligava o Centro ao Segundo Distrito de Sena Madureira.

Por: Samoel Andrade.