16 de junho de 2026

MPF aciona Justiça para atualizar plano de proteção da Terra Indígena Alto Rio Purus

MPF aponta novas ameaças ao território indígena e pede atualização urgente de plano elaborado há mais de uma década.

MPF aciona Justiça para atualizar plano de proteção da Terra Indígena Alto Rio Purus
Foto: Guto de Lima - CC2.0.

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública para obrigar a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) a atualizar e publicar o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da Terra Indígena Alto Rio Purus, localizada no Acre.

Segundo o MPF, o documento atualmente existente foi elaborado em 2012 e já não contempla as transformações ocorridas no território ao longo dos últimos anos, nem os novos desafios enfrentados pelas comunidades indígenas que vivem na região.

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A Terra Indígena Alto Rio Purus ocupa cerca de 236 mil hectares entre os municípios de Santa Rosa do Purus e Manoel Urbano, na fronteira com o Peru. O território é habitado pelos povos Madijá e Huni Kuĩ e integra uma importante área de preservação ambiental da Amazônia acreana.

Na ação judicial, o Ministério Público argumenta que surgiram novas ameaças à região, incluindo propostas de abertura de estradas, atuação de missionários, avanço de atividades ilícitas na faixa de fronteira e influência crescente de organizações criminosas em áreas estratégicas da Amazônia.

Embora o plano tenha passado por um processo de atualização em 2021, o MPF sustenta que os desafios atuais exigem uma nova revisão antes da publicação definitiva do documento.

De acordo com o órgão, a ausência de um plano atualizado dificulta o planejamento das comunidades indígenas e compromete a implementação de políticas públicas voltadas à proteção territorial, monitoramento ambiental e prevenção de conflitos.

Antes de recorrer à Justiça, o MPF informou ter promovido articulações com a Funai, o Ministério dos Povos Indígenas, a Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI-Acre) e outras instituições envolvidas. Apesar da elaboração de um plano de trabalho para atualização do documento, questões administrativas e orçamentárias impediram o avanço das medidas previstas.

Na ação, o MPF pede que a Justiça determine à União e à Funai a apresentação de um plano detalhado de atualização do PGTA em até 60 dias, com cronograma, definição de responsáveis, previsão orçamentária e participação das comunidades indígenas.

O órgão também solicita que o plano atualizado seja concluído, validado pelos povos Huni Kuĩ e Madijá e publicado em até 12 meses. Além disso, requer a aplicação de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento das determinações judiciais.

Segundo o Ministério Público Federal, a medida é fundamental para fortalecer a proteção territorial, ambiental, cultural e social da Terra Indígena Alto Rio Purus diante das pressões e ameaças que se intensificaram ao longo da última década.