16 de junho de 2026

“Não vai nem à esquina”: defesa revela como vive Monique Medeiros após deixar a prisão

“Não vai nem à esquina”: defesa revela como vive Monique Medeiros após deixar a prisão
“Não vai nem à esquina”: defesa revela como vive Monique Medeiros após deixar a prisão

Pouco mais de duas semanas após deixar o sistema prisional, Monique Medeiros tenta reconstruir a própria vida longe dos holofotes. Em entrevista exclusiva à repórter Patrícia Teixeira, do portal LeoDias, o advogado Hugo Novais revelou detalhes da rotina da ex-professora após o julgamento que a condenou por tortura por omissão e lhe concedeu perdão judicial pelo homicídio culposo na morte de Henry Borel.

Segundo o defensor, a liberdade conquistada após quase cinco anos de prisão não significou um retorno à normalidade. Alvo constante de ameaças e campanhas de ódio nas redes sociais, Monique estaria vivendo uma espécie de “segunda prisão”, evitando qualquer exposição pública por medo de represálias.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Monique Medeiros em julgamentoCrédito: Gabriel de Paiva/Agência O Globo Monique Medeiros em julgamentoCrédito: Brunno Dantas/TJRJ Monique MedeirosFoto: Reprodução/Record Monique Medeiros após receber o resultado da sentençaReprodução: Portal LeoDias Monique Medeiros, Jairo Souza Santos e Henry BorelReprodução: Arquivo pessoal

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“Qualquer tipo de limitação que uma pessoa tenha em virtude de uma ameaça acaba se tornando uma segunda prisão. É claro que isso não se compara ao cárcere, mas a Monique vive acuada. Ela recebe, de diversas formas, campanhas de ódio, e isso faz com que permaneça cada vez mais reservada”, afirmou Hugo.

De acordo com o advogado, desde que deixou o presídio, Monique praticamente não saiu de casa: “Ela não sai. Não vai nem à esquina comprar um refrigerante. A vida dela hoje é extremamente restrita por conta das ameaças que continua recebendo”, revelou.

Sem uma rotina profissional e distante da vida social que levava antes da prisão, como as idas frequentes à academia e ao salão de beleza, Monique tem dedicado grande parte dos dias ao estudo do próprio processo.

Segundo Hugo, a ex-professora passa horas analisando depoimentos, laudos periciais, decisões judiciais e demais documentos produzidos ao longo da investigação e da tramitação do caso: “Ela conhece esse processo como poucas pessoas conhecem. Estamos falando de mais de 20 mil páginas que ela estuda diuturnamente”, disse.

“Monique nunca conseguiu viver o luto do Henry”
Na avaliação do advogado, a longa batalha judicial impediu que Monique elaborasse emocionalmente a morte do filho. A dor da perda, segundo ele, acabou sendo completamente absorvida pelo processo criminal: “Ela nunca conseguiu viver o luto do Henry. Durante anos, ela precisou sobreviver às acusações, às audiências, aos depoimentos e à prisão. Não houve espaço para viver o luto de forma adequada”, pontuou.

Na visão da defesa, após todo o desgaste provocado pelo processo, Monique também precisou lidar com a demissão de um cargo público que ocupava na Prefeitura do Rio de Janeiro. Hugo criticou a medida e afirmou que a exoneração não ocorreu seguindo os trâmites convencionais: “Essa demissão não tem compromisso com os princípios constitucionais da administração pública. Ela tem compromisso com o eleitor, com a politicagem”, declarou.

O defensor contou que ainda avalia as circunstâncias da demissão e não descarta a adoção de medidas judiciais futuramente. Atualmente, segundo ele, Monique recebe ajuda financeira de familiares enquanto tenta reorganizar a própria vida.

Medo de voltar para a prisão
Apesar da liberdade, a defesa acompanha com atenção a fase recursal do processo. O Ministério Público, o assistente de acusação e a defesa de Dr. Jairinho já apresentaram recursos questionando pontos da decisão do júri. Embora afirme estar seguro da legalidade do julgamento conduzido pela juíza Elizabeth Machado Louro, Hugo admite que existe um temor natural diante da possibilidade de reavaliação do caso pelos tribunais.

“O medo é inerente a qualquer pessoa que trabalhe nesse caso. Claro que me causaria enorme frustração ver um Tribunal de Justiça anular um trabalho realizado de maneira tão correta, tão constitucional e tão respeitosa às garantias processuais”, entregou.

“O problema da Monique foi nascer mulher”
Durante a entrevista, Hugo também criticou a forma como sua cliente foi julgada pela opinião pública e sustentou que houve uma cobrança social diferenciada por ela ser mãe. Segundo ele, parte significativa das críticas dirigidas a Monique decorre da expectativa de que uma mãe seja capaz de prever e impedir qualquer situação de risco envolvendo um filho: “O problema da Monique foi nascer mulher. Não é possível que jurados, diante de um processo dessa magnitude, tenham chegado a uma conclusão favorável a ela se não existisse nos autos tudo aquilo que a defesa demonstrou ao longo do julgamento”, declarou.

Para o advogado, a decisão dos jurados e o perdão judicial concedido pela magistrada demonstram que o caso possui nuances muito mais complexas do que aquelas apresentadas ao público ao longo dos últimos anos. No último dia 4 de junho, Monique Medeiros e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foram condenados pela morte de Henry Borel. Monique recebeu perdão judicial pelo homicídio culposo e cumprirá, em liberdade, pena de 1 ano e 4 meses por tortura por omissão. Já Jairinho foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.