Estimativas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) indicam que o próximo El Niño, previsto para se estabelecer no segundo semestre de 2026, tem potencial para ser o mais intenso da história moderna. Os modelos meteorológicos apontam que as temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial podem subir entre 3°C e 4°C acima da média histórica até o mês de dezembro. Se a projeção se confirmar, o fenômeno superará em intensidade os eventos recordistas de 1997-1998 e 2015-2016.
De acordo com o relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à ONU, a probabilidade de formação do El Niño é de 80% antes de setembro e salta para 90% até novembro. O secretário-geral da ONU, António Guterres, cobrou ações imediatas dos governos globais, classificando o cenário como um alerta climático urgente que deve acelerar o aquecimento global e gerar reflexos diretos na estabilidade geopolítica e na produção de alimentos.
O El Niño altera os padrões de ventos alísios e modifica a distribuição de chuvas em escala planetária. O último evento, encerrado no início de 2024, já havia sido classificado como um dos mais quentes do registro histórico. Especialistas alertam que os desdobramentos do novo ciclo em 2026 podem agravar a insegurança alimentar em diversas regiões, intensificada pelo atual contexto de tensões internacionais no Oriente Médio e no comércio exterior.
Por: Victor Bastos


