16 de junho de 2026

Teoria da conspiração ou tem base: Endrick não joga por causa de material esportivo?

Teoria da conspiração ou tem base: Endrick não joga por causa de material esportivo?
Teoria da conspiração ou tem base: Endrick não joga por causa de material esportivo?

Endrick é, definitivamente, o mais novo “queridinho” da Seleção Brasileira. Decisivo e carismático, o jovem conquistou a nação brasileira que tem cobrado sua escalação nas partidas da Copa do Mundo. O atacante, no entanto, acabou preterido e não deixou o banco de reservas na partida contra Marrocos. A partir daí, a web passou a levantar possíveis especulações para explicar o porquê de Endrick não ter mais minutos. Um das “teorias” mais compradas diz respeito ao material esportivo.

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Enquanto Endrick é patrocinado pela fornecedora de material esportivo New Balance, a Seleção Brasileira tem um longo e lucrativo contrato com a Nike desde a segunda metade da década de 1990. Logo após a partida do último sábado (13/06), internautas resgataram um trecho do documentário de Ronaldinho Gaúcho, lançado este ano pela Netflix, onde o irmão e empresário do ex-jogador, Assis, explicou que mesmo com propostas mais lucrativas, priorizou um acerto do ex-meia com a Nike, justamente por conta do vínculo com a Seleção.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Endrick e Gabriely MirandaReprodução: Instagram/@endrick Endrick e Danilo Santos também foram destaques da Seleção na segunda etapaFoto: Rafael Ribeiro/CBF Endrick, jogador da Seleção BrasileiraFoto: Rafael Ribeiro/CBF

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Afinal de contas, tem base ou é apenas mais uma “teoria da conspiração”?
Historicamente, não existem relatos de que a Nike teria imposto a convocação de determinados jogadores por conta de vínculos contratuais. Alguns jogadores titulares da Seleção Brasileira, inclusive, são patrocinados por marcas que competem no mercado esportivo (Casemiro, Bruno Guimarães e Raphinha, pela Adidas, Alex Sandro pela Puma, por exemplo) com a Nike.

Aliás, o jogador mais midiático da Seleção, Neymar, que durante boa parte do período prévio à convocação foi praticamente descartado de ir à Copa, atualmente patrocinado pela Puma, chegou a ter uma rescisão contratual em litígio com a Nike há alguns anos.

Único momento em que a Nike teve algum tipo de influência sobre a convocação da Seleção Brasileira foi revelado durante a CPI do Futebol/Nike realizada no final dos anos 90, logo após a Copa de 1998. Na oportunidade, um contrato que teve sigilo rompido durante a CPI e dizia respeito a realização de amistosos, tendo a Nike como um dos signatário, impunha que a Seleção Brasileira colocasse pelo menos 8 de 11 titulares em campo em amistosos.

O contrato não especificava nomes ou jogadores que possuíam contrato com a marca, apenas fazia o apelo para que o Brasil priorizasse times fortes e competitivos, uma vez que as partidas eram realizadas fora do país.

Por mais que essa cláusula possa parecer estranha para pessoas que não entendem como o mercado funciona, é praxe em negociação de partidas amistosas tanto em clubes como seleções para exigir equipes próximas da força máxima, a fim de atrair mais público para os jogos.

Dificuldade de Endrick em se firmar não é de hoje
Além disso, é fato público e notório que Endrick, desde o início de sua curta carreira, tem tido problemas para firmar espaço nas equipes onde jogou.

No Palmeiras, por exemplo, demorou até cconseguir espaço entre os titulares, se firmando apenas na reta final da temporada de 2023. Nas semifinais da Libertadores daquele ano, quando o alviverde foi eliminado pelo Boca Jrs., Endrick entrou apenas nos minutos finais das duas partidas. Boa parte da torcida do clube ficou “na bronca” com o técnico Abel Ferreira por não ter dado mais tempo em campo para o jovem.

À época, o português justificou a escolha por entender que Endrick era muito jovem para ter tanta responsabilidade nas costas. Poucas semanas depois, no entanto, o jovem que tinha apenas 17 anos na época, virou titular do Palmeiras e foi peça fundamental para arrancada que garantiu o título brasileiro, tendo atuação marcante na histórica virada contra o Botafogo por 4 a 3, marcando dois gols e dando uma assistência.

Na Seleção Brasileira, Endrick também viveu um momento peculiar sob comando de Dorival Jr. Logo nas primeiras oportunidades, contra a Inglaterra, em Wembley, e a Espanha, no Santiago Bernabéu, o jovem impressionou e marcando gols. Convocado para a Copa América, Endrick apareceu novamente para “salvar” a Seleção marcando o gol da vitória em um amistoso contra o México.

No entanto, ao começar a Copa América, Endrick acabou novamente “esquecido” no banco de reservas e não entrou em campo na fase de grupos. O jovem só veio a entrar em campo no segundo tempo da partida contra o Uruguai nas quartas de final, no lugar de Vini Jr. em uma das alterações mais controversas da era Dorival Jr. e não conseguiu contribuir. Nos pênaltis, a Seleção acabou eliminada e voltou para casa.

Em sua chegada ao Real Madrid, sob comando do atual técnico da Seleção, Carlo Ancelotti, Endrick também teve dificuldades para se encaixar na equipe. Por mais que o jovem sempre se destacasse nos poucos minutos que tinha em campo, sempre era preterido, jogando apenas partidas com menor grau de importância.

A primeira temporada, no entanto, a falta de espaço foi vista como natural, uma vez que era muito jovem e outros brasileiros que hoje são estralas da equipe tiveram de passar por adaptação parecida, como nos casos de Vini Jr. e Rodrygo. No entanto, em seu segundo ano, quando Endrick era esperado para ganhar mais minutos, acabou “esquecido” pelo técnico Xabi Alonso, vendo o atacante Gonzalo García passar sua frente na fila de prioridades. Em meio a isso, também acabou “esquecido” da Seleção tanto por Dorival, quanto por Carlo Ancelotti, que não convocaram o jovem enquanto

Após quase não atuar na primeira metade da temporada no Real Madrid, aceitou um empréstimo para o Lyon, onde pretendia ganhar mais minutos para retornar a Seleção. Apesar de mostrar bons números (6 gols e 7 assistências em 18 jogos), Endrick também chegou a ser criticado pelo técnico português Paulo Fonseca, que chegou a cobrar mais participação defensiva do jogador.

Ainda assim, com o destaque na equipe francesa, conseguiu retornar à Seleção Brasileira, mas quase foi “esquecido na fila”. Nos amistosos de março, Endrick não entrou em campo na partida contra a França. Um dia antes da partida contra a Croácia, Ancelotti chegou a afirmar que o atacante era o “futuro da Seleção”, praticamente descartando uma convocação para a Copa do Mundo. No entanto, nos poucos minutos em campo, sofreu um pênalti e deu uma assistência, ajudando a Seleção a garantir uma vitória.

“Desobediência tática” de Endrick ou teimosia de Ancelotti?
Uma matéria publicada pelo Uol, apontou que a principal razão de Endrick não ter mais oportunidades na Seleção se deve ao fanto de ser um jogador “indisciplinado” do ponto de vista tático. Reforçando, Endrick não tem problemas de comportamento, mas tem dificuldade de seguir orientações táticas e técnicas.

Na partida contra Marrocos, Ancelotti planejava ter um atacante que exercesse pressão na saída de bola da defesa adversária e que não “recuasse”. Endrick, no entanto, tem como característica “buscar” jogo, o que dificultaria o planejamento tático.

No entanto, vale destacar que até bem pouco tempo o técnico da Seleção tentou emplacar um esquema com 4 atacantes de bastante movimentação: Vini Jr.; Raphinha, Matheus Cunha e Luiz Henrique, esquema esse que seria mais adaptável ao estilo de Endrick.

Outro ponto é que Endrick opta sempre pela intuição e improviso e não costuma ouvir “dicas”. Um exemplo usado foi uma circunstância em que o atacante foi orientado, durante um treinamento, que dominasse uma bola antes de finalizar. Mesmo acatando a orientação, na hora de executar a jogada, Endrick preferiu finalizar de primeira.

Ainda assim, está nos planos do técnico italiano utilizar Endrick durante a Copa do Mundo a depender das circunstâncias por mais que, neste momento, o jovem não esteja no topo da lista de prioridades.