16 de julho de 2026

Brasil não vai a evento do governo Trump sobre "extrema esquerda"

Brasil não vai a evento do governo Trump sobre "extrema esquerda"
Divulgação/Redes Sociais

O Brasil não participará de um evento promovido pelos Estados Unidos sobre o que o governo Donald Trump chama de “ressurgimento do terrorismo político” propagado pela “extrema esquerda”. A reunião acontece nesta quinta-feira (16/7), liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Relações Brasil x EUA

  • A relação entre Brasil e Estados Unidos ganhou contornos críticos após Donald Trump assumir a Casa Branca pela segunda vez, em janeiro de 2025.
  • No último, o Brasil foi incluindo na lista de países taxados em 10% durante o tarifaço imposto pelo presidente norte-americano contra diversas nações.
  • Em julho de 2025, a administração Trump anunciou uma sobretaxa de 40% contra produtos brasileiros. 
  • Na época, o presidente dos EUA afirmou que a medida era uma resposta direta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
  • A taxa surgiu após articulações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que deixou a Câmara dos Deputados para buscar apoio ao pai junto a autoridades norte-americanas.
  • A Justiça dos EUA derrubou o tarifaço de Trump que afetava não só Brasil, mas também a outros países, em fevereiro deste ano.
  • Já em maio foi a vez da administração Trump mirar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Os dois grupos foram classificados como organizações terroristas pelos EUA após o senador Flávio Bolsonaro visitar o líder norte-americano.
  • A medida, contudo, é vista por autoridades brasileiras como uma “brecha” para possíveis ações militares norte-americanas no Brasil, justificadas pelo combate ao terrorismo — como aconteceu recentemente na Venezuela, por exemplo.
  • Existe ainda o temor, por parte do governo Lula, de que a atuação da família Bolsonaro nos EUA resulte em uma interferência de Washington nas eleições deste ano.
  • Há cerca de um mês o chefe da diplomacia dos EUA conhecido por posições críticas contra governos de esquerda, Marco Rubio, disse que o Brasil não faz parte da lista de países amigáveis na América Latina. 
  • Na noite de quarta-feira (15/7), o governo Trump anunciou uma nova tarifa de 25% contra o Brasil.

Na última semana, o Departamento de Estado convidou representantes de diversos países para a conferência nos EUA. Entre eles o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.

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Ao Metrópoles, fontes ligadas ao Itamaraty informaram que o chanceler não comparecerá ao evento devido a compromissos no Brasil, previstos na agenda de Vieira antes do convite norte-americano chegar.

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Lula e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores

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Imagem mostra Mauro Vieira e Marco Rubio em tom amistoso durante Cúpula para Chanceleres do G7

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Marco Rubio e Mauro Vieira em Washington

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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira

Arte/Metrópoles

Segundo a diplomacia dos EUA, cerca de 70 países foram convidados para as discussões. A reunião a nível ministerial será liderada por Rubio — conhecido pela sua atuação e críticas contra governos de esquerda na América Latina.

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A expectativa, de acordo com fontes ligadas ao Departamento de Estado, é de que o evento reúna delegações de mais de 65 países.

Reunião sobre terrorismo político de extrema esquerda

Conforme o Departamento de Estado, a reunião convocada por Rubio tem a intenção de criar ações coordenadas entre os países com a intenção de combater o avanço do que eles classificam como “terrorismo político praticado por governos de extrema esquerda”.

“Eles refletem uma estratégia deliberada e ideologicamente motivada para desestabilizar sociedades livres, visando violentamente nossos sistemas políticos e econômicos, incluindo ataques contra cidadãos comuns, funcionários do governo, policiais e agentes da lei, empresas e infraestrutura crítica em todo o mundo”, informa.

Ainda segundo o órgão, que coordena as relações internacionais do governo dos Estados Unidos, o país pretende assumir papel de liderança neste combate, defendendo ainda a necessidade de existir cooperação entre os países.

“O secretário Rubio destacará [durante a reunião desta quinta] a importância de aprofundar a cooperação com parceiros internacionais para melhor mapear a atividade violenta, interromper o financiamento do terrorismo, proteger infraestruturas críticas e promover a ação coletiva contra uma ameaça que não respeita fronteiras”, reforça o órgão.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Junio Silva.