2 de julho de 2026

Brasil corre contra o tempo para evitar tarifa de 25% dos EUA

Prazo termina em 15 de julho e governo tenta evitar prejuízo bilionário às exportações brasileiras.

Brasil corre contra o tempo para evitar tarifa de 25% dos EUA
Ministro admite dificuldade e diz que tempo é curto para acordo comercial com os Estados Unidos.

O Brasil corre contra o tempo para evitar tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A confirmação foi feita nesta quinta-feira (2), após nova rodada de negociações entre representantes dos dois países.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, participou de mais uma reunião com o representante de comércio exterior dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir a ameaça de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros.

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Após o encontro, realizado em meio à abertura do 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, no Rio de Janeiro, o ministro admitiu que o prazo para alcançar um entendimento é curto e decisivo.

Segundo Elias Rosa, o principal desafio é chegar a um acordo antes de 15 de julho, data limite estabelecida pelo governo norte-americano dentro do processo de investigação comercial conduzido com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O mecanismo permite aos Estados Unidos aplicar sanções comerciais contra países acusados de adotar práticas consideradas desleais.

“Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra”, afirmou o ministro ao comentar o avanço das tratativas.

Sem citar diretamente nomes, Elias Rosa também criticou interferências políticas que, segundo ele, estariam dificultando o diálogo econômico entre os dois países.

De acordo com o ministro, questões ideológicas e disputas eleitorais não deveriam interferir em um debate que envolve comércio bilateral e impactos diretos na economia brasileira.

Entre os pontos discutidos na reunião estão comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, exportação de etanol e desmatamento ilegal.

A tensão aumentou após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação da tarifa de 25%, alegando supostas práticas desleais por parte do Brasil.

O relatório preliminar cita políticas relacionadas ao sistema de pagamentos Pix, atuação do Banco Central, proteção de propriedade intelectual e decisões envolvendo plataformas digitais americanas.

Na próxima segunda-feira (6), o USTR realizará uma audiência pública para discutir oficialmente a proposta de taxação. Empresários, especialistas e representantes da sociedade civil poderão se manifestar sobre o tema.

Até o momento, dezenas de participantes já se inscreveram para a audiência, incluindo figuras políticas brasileiras.

Esta foi a quarta reunião de alto nível entre Brasil e Estados Unidos desde maio. A expectativa agora é de novos encontros técnicos no início da próxima semana para tentar destravar pontos sensíveis e evitar impactos no comércio exterior.

Caso a tarifa seja confirmada, setores exportadores brasileiros poderão enfrentar perdas significativas, principalmente no agronegócio, indústria de transformação e comércio de commodities.

O governo brasileiro busca fechar um entendimento antes do prazo final para evitar prejuízos econômicos e manter a estabilidade das relações comerciais com os Estados Unidos.

Por Samoel Andrade