Estudo aponta que Amazônia possui apenas uma espécie de pirarucu, contrariando pesquisas publicadas há mais de dez anos que sugeriam a existência de cinco espécies diferentes do peixe na região amazônica. A conclusão é de uma pesquisa realizada por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), divulgada na última sexta-feira (3) pela Agência Bori e publicada na revista científica Neotropical Ichthyology.
Segundo os pesquisadores, todas as populações analisadas pertencem à espécie Arapaima gigas, considerada o maior peixe de água doce da América do Sul.
Pesquisa analisou exemplares em diferentes regiões da Amazônia
Para chegar ao resultado, os cientistas examinaram cerca de 90 exemplares de pirarucu coletados em diferentes áreas da Amazônia brasileira.
As análises envolveram peixes provenientes do:
- Alto Rio Solimões;
- Rio Juruá;
- Rio Purus;
- Baixo Rio Amazonas.
Após comparar características morfológicas dos animais, os pesquisadores concluíram que as diferenças observadas representam apenas variações naturais dentro da mesma espécie.
Estudo contradiz teoria publicada em 2013
A nova pesquisa contesta estudos divulgados em 2013 que defendiam a existência de outras quatro espécies de pirarucu na bacia amazônica.
De acordo com o pesquisador Valdenor Magalhães, autor do artigo científico, as evidências obtidas demonstram que as diferenças físicas identificadas anteriormente não são suficientes para classificar novos grupos como espécies distintas.
A conclusão reforça a necessidade de revisões constantes na classificação científica de espécies com base em novas tecnologias e métodos de análise.
Espécie é fundamental para o equilíbrio da Amazônia
Além da relevância científica, o estudo destaca o papel ecológico desempenhado pelo Arapaima gigas.
Por ocupar o topo da cadeia alimentar, o pirarucu ajuda a controlar populações de outros peixes e contribui diretamente para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos amazônicos.
“Por ser uma espécie de topo de cadeia alimentar, o pirarucu desempenha um papel ecológico fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas onde ocorre naturalmente, principalmente predando e controlando a população de outras espécies. Preservar a espécie explorando-a de modo sustentável, como ocorre no sistema de manejo, é uma forma de preservar também o seu papel ecológico”, afirmou o pesquisador Valdenor Magalhães.
Manejo sustentável beneficia comunidades ribeirinhas
O pirarucu também possui grande importância econômica para milhares de famílias que vivem na Amazônia.
O manejo sustentável da espécie garante renda para comunidades ribeirinhas e, ao mesmo tempo, contribui para a conservação dos estoques naturais, tornando-se referência internacional em exploração sustentável dos recursos pesqueiros da região.



