17 de julho de 2026

Novo remédio contra Alzheimer pode reduzir declínio cognitivo em 50%

Novo remédio contra Alzheimer pode reduzir declínio cognitivo em 50%
Magnfic

Uma nova terapia experimental para a doença de Alzheimer apresentou resultados promissores em um estudo internacional e deve avançar para a fase 3, considerada a última etapa antes de um possível pedido de aprovação pelas agências reguladoras.

O medicamento, chamado diranersen (BIIB080), atua de forma diferente dos tratamentos mais recentes: em vez de combater a proteína beta-amiloide, ele reduz a produção da proteína tau, um dos principais marcadores da doença fortemente relacionado à perda de memória e ao avanço dos sintomas.

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Os resultados foram apresentados durante a Alzheimer’s Association International Conference (AAIC) 2026, em Londres. Segundo a Biogen, responsável pelo desenvolvimento da terapia, trata-se da primeira vez que um medicamento direcionado à proteína tau demonstra, em um estudo de fase 2, redução da proteína no cérebro acompanhada por sinais de benefício clínico.

O estudo, chamado CELIA, acompanhou 416 pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer durante 18 meses. Os participantes receberam diferentes doses do medicamento ou placebo.

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do Metrópoles Saúde e Ciência

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Principais achados do estudo

  • 416 pacientes com Alzheimer em estágio inicial;
  • Acompanhamento por 18 meses;
  • Redução de até 50% do declínio cognitivo, dependendo da escala utilizada;
  • Diminuição de 50% a 65% da proteína tau no líquido que envolve o cérebro;
  • Redução dos depósitos da proteína tau observada em exames de imagem;
  • Perfil de segurança considerado favorável, sem registro de edema cerebral (ARIA);
  • A Biogen informou que o medicamento seguirá para a fase 3 de estudos.

Como o medicamento funciona?

O Alzheimer é marcado pelo acúmulo de duas proteínas no cérebro: a beta-amiloide, que forma placas entre os neurônios, e a tau, que cria emaranhados dentro das células nervosas.

Enquanto os medicamentos mais recentes têm como alvo a beta-amiloide, o diranersen foi desenvolvido para diminuir a produção da proteína tau. A expectativa dos pesquisadores é que isso ajude a desacelerar a perda das funções cognitivas, como memória, atenção e raciocínio.

A terapia é administrada por via intratecal, por meio de uma punção lombar, procedimento que permite levar o medicamento diretamente ao líquido que circula ao redor do cérebro e da medula.

Os pesquisadores avaliaram três doses do medicamento. Curiosamente, a menor delas, de 60 mg aplicada a cada 24 semanas, apresentou os melhores resultados.

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Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas

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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista

Andrew Brookes/ Getty Images3 de 8

Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce

Westend61/ Getty Images4 de 8

Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano

urbazon/ Getty Images5 de 8

Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença

OsakaWayne Studios/ Getty Images6 de 8

Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns

Kobus Louw/ Getty Images7 de 8

Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença

Rossella De Berti/ Getty Images8 de 8

O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida

Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images

Na comparação com o placebo, essa dose reduziu o declínio cognitivo em 26% na escala CDR-SB, em 42% na ADAS-Cog13 e em 50% na Mini-Mental State Examination (MMSE), um dos testes mais conhecidos para avaliar memória e outras funções cognitivas.

Apesar dos resultados positivos, o estudo não atingiu seu objetivo principal, que era demonstrar uma melhora progressivamente maior com doses mais altas. Ainda assim, a Biogen destaca que cinco dos seis desfechos clínicos analisados favoreceram o medicamento, o que sustentou a decisão de iniciar a fase 3.

Embora os resultados sejam considerados promissores, o diranersen ainda não pode ser usado na prática clínica. A próxima etapa reunirá um número maior de participantes para confirmar se os benefícios observados se repetem e se o tratamento mantém um perfil de segurança adequado.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Isabella França.