A alta-costura apresenta, em seus desfiles, conceitos que muitas vezes parecem distantes do guarda-roupa real. Ainda assim, é a partir dessas criações que nascem as tendências mais relevantes, depois traduzidas em versões mais simples e absorvidas pelo grande público ao longo dos ciclos seguintes de moda.
É possível, portanto, se adiantar e entender as principais tendências das próximas estações reveladas na Semana de Alta-Costura Outono/Inverno 2026/2027.
Vem conferir!
Acessórios inusitados
Sapatos e bolsas concentram boa parte da experimentação desta temporada. Formas, texturas e cores fora do comum ganham espaço com mais liberdade quando o assunto é acessório, terreno onde ousar custa menos do que em uma peça de roupa inteira.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Os calçados, aliás, já vinham conquistando esse protagonismo: das tabis aos modelos transparentes, a silhueta extravagante deixou de ser exceção.
4 imagens1 de 4
Modelo com salto de borboleta
Virgil CLAISSE/Gamma-Rapho via Getty Images2 de 4
Saltos Chanel
Stephane Cardinale – Corbis/Corbis via Getty Images3 de 4Stephane Cardinale – Corbis/Corbis via Getty Images4 de 4
Modelo em homenagem ao conto João e o Pé de Feijão
Virgil CLAISSE/Gamma-Rapho via Getty Images
Na Schiaparelli, Daniel Roseberry apresentou scarpins com spikes tridimensionais, um salto aparentemente decorativo e pares de formas irregulares cobertos de flores. Jonathan Anderson, na Dior, propôs scarpins de tela com flores bordadas à mão e sandálias cujo solado se estendia para envolver os dedos. Já Mathieu Blazy, na Chanel, transformou o salto em vagem de ervilha com pérolas no lugar dos grãos, cercado de pequenas cenas de bosque, com borboletas, rosas e ovos.
As bolsas seguem a mesma lógica: modelos com formato de animais trazem um tom lúdico mesmo em peças de luxo, enquanto texturas brilhantes e recortes escultóricos aparecem em diferentes versões de muitas casas.
4 imagens1 de 4
Bolsa Dior em formato de tatu
Victor VIRGILE/Gamma-Rapho via Getty Images2 de 4
Bolsa de pássaro
Virgil CLAISSE/Gamma-Rapho via Getty Images3 de 4
Bolsa de formato orgânico
Virgil CLAISSE/Gamma-Rapho via Getty Images4 de 4
Bolsa Dior em formato inusitado
Victor VIRGILE/Gamma-Rapho via Getty Images
Cores saturadas
Nesta temporada, a cor deixou de ser coadjuvante. Verde-limão, tons aquáticos e paletas vibrantes tomaram passarelas como Dior e Schiaparelli, em contraponto direto à onda de minimalismo neutro que marcou as coleções anteriores.
A tradução para o guarda-roupa é simples: em vez de reservar cor só para um acessório pontual, vale eleger uma peça vibrante como base do look e manter o restante da produção mais sóbrio ao redor dela. O ready-to-wear já vinha sinalizando esse caminho e a couture agora confirma que se trata de um movimento consolidado, não passageiro.
Volume
Por anos, a silhueta ajustada ao corpo funcionou como sinônimo de elegância. Esta temporada, porém, revelou um apetite claro por formas mais esculturais e construídas.
Reproduzir literalmente os volumes exagerados da passarela não é o objetivo: a ideia é abrir espaço para peças com estrutura própria, como um ombro mais marcado, uma manga bufante ou uma saia com armação leve que sustenta o caimento sem depender do corpo para isso. Trata-se de uma mudança sutil de atitude em que a peça passa a ocupar espaço por decisão de design e não apenas para acompanhar as curvas do corpo.
3 imagens1 de 3
Desfile de Celia Kritharioti
Kristy Sparow/Getty Images)2 de 3
Desfile de Robert Wun
Edward Berthelot/Getty Images3 de 3
Desfile de RVNG
Richard Bord/Getty Images
Textura e materiais alternativos
Bordado, plissado e sobreposição de camadas de tecido dominaram boa parte das coleções, colocando a textura como principal fonte de interesse visual das peças.
No dia a dia, a lógica pode ser aplicada priorizando tecidos que já carregam relevo e volume próprios, como tricô trançado, veludo, tafetá e plissados, em vez de recorrer a padronagens para dar movimento ao look. É uma forma de alcançar sofisticação sem depender de estampa, o que também abre espaço para que materiais alternativos, como látex, vinil e metalizados, ganhem protagonismo como substitutos texturizados dos tecidos tradicionais.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Larissa Pontes.


