1 de julho de 2026

Líder indígena acusado de abusar de turista chilena em retiro no Acre é liberado após audiência de custódia

Líder indígena acusado de abusar de turista chilena em retiro no Acre é liberado após audiência de custódia

O líder indígena Isaka Ruy Huni Kuî foi preso preventivamente na quarta-feira (9) após se apresentar voluntariamente à Polícia Civil no município de Feijó, interior do Acre. Ele é acusado de abusar sexualmente da turista chilena Loreto Belén durante um retiro espiritual realizado em uma aldeia da região.

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Acompanhado de advogados, Isaka negou as acusações em depoimento ao delegado Dione Lucas. Mesmo assim, a prisão preventiva foi cumprida. No entanto, durante audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (10), a Justiça concedeu liberdade ao acusado, que agora responderá ao processo em liberdade.

Segundo a defesa, Isaka só tomou conhecimento da denúncia após deixar a aldeia, ao fim da vivência com os turistas. Ele disse que, assim que soube do caso, procurou advogados e negociou sua apresentação à polícia.

O líder indígena confirmou ter estado com a turista em uma área isolada da aldeia, mas negou ter cometido qualquer ato de violência. No depoimento, ele relatou que a chilena teria tentado se aproximar, mas ele recusou. Ainda conforme o delegado, Isaka contou que sua esposa tomou conhecimento da situação e houve um tumulto entre os presentes. “Ele afirmou que a esposa não chegou a agredir a turista, pois foi contida por outras pessoas. No entanto, o exame de corpo de delito indicou vermelhidões no corpo da vítima”, disse o delegado.

Loreto Belén registrou a denúncia no dia 23 de junho, afirmando ter sofrido pelo menos três episódios de abuso sexual, sendo o último no dia 17 do mesmo mês. A turista relatou que chegou à aldeia no dia 15 de maio, após adquirir um pacote de vivência espiritual na floresta, ao custo de cerca de R$ 5,5 mil.

Em vídeos publicados nas redes sociais, a chilena afirmou que decidiu tornar o caso público para encorajar outras mulheres. “Não quero difamar ninguém, mas quero que outras pessoas não passem pelo que passei. Acho que tive coragem e força espiritual para enfrentar isso. Que outras mulheres também possam levantar a voz”, declarou.

O caso segue em investigação. A polícia já ouviu cinco pessoas, incluindo o suspeito e turistas que estavam na aldeia no período. O celular de Loreto permanece desaparecido. A Polícia Civil tenta localizar o aparelho por meio do rastreamento via iCloud, mas aguarda informações complementares da vítima.

A turista também recebeu atendimento médico no hospital de Feijó, onde passou por exames de lesão corporal e avaliação sexológica. Ela foi acolhida pelo Departamento Bem Me Quer e pelo Organismo de Políticas Públicas para Mulheres (OPM), que oferecem apoio a mulheres vítimas de violência no Acre.