29 de junho de 2026

Trump x Lula: entenda cronologia da crise entre EUA e Brasil

Trump x Lula: entenda cronologia da crise entre EUA e Brasil
Trump x Lula: entenda cronologia da crise entre EUA e Brasil

A frágil relação entre Brasil e Estados Unidos, desde o início do segundo mandato de Donald Trump, ganhou contornos dramáticos e virou uma crise diplomática entre os dois países, após o presidente norte-americano anunciar a tarifa de 50% sobre exportações brasileiras por razões políticas.

Ao anunciar a tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, o líder norte-americano deixou claro que a decisão foi tomada não só por aspectos econômicos, como o déficit inexistente dos EUA na balança comercial com o Brasil. A taxa, segundo Trump, é uma retaliação direta contra o julgamento de Jair Bolsonaro (PL), réu em ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre suposta tentativa de golpe de Estado em 2022.

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Na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio da qual a tarifa foi anunciada, Trump disse que aumentou a taxa contra o Brasil por conta de “ataques insidiosos”
às eleições livres no país. No documento, enviado poucos dias após a realização da cúpula do Brics no Rio de Janeiro, o presidente dos EUA voltou a criticar o julgamento de Bolsonaro e afirmou que a ação deve ser interrompida.

Veja a cronologia da crise

6 de julho 

Enquanto lideranças do Brics se reuniam na cúpula anual do bloco, realizada no Rio de Janeiro, Trump fez a primeira ameaça indireta contra o Brasil. Na rede social Truth, o presidente dos EUA ameaçou aplicar tarifas de 10% aos países que se alinhassem ao que chamou de “políticas antiamericanas”.

7 de julho

Depois de ameaçar os Brics, Trump voltou os olhos para Jair Bolsonaro (PL), réu em ação penal que tramita no STF. Apesar das investigações contra o ex-presidente e as conclusões da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o caso, Trump afirmou que Bolsonaro “não é culpado de nada”.

9 de julho

Assim como era esperado por parte da oposição brasileira, Trump agiu contra o Brasil após articulações do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), com autoridades norte-americanas.

Em carta, o mandatário republicano anunciou a tarifa de 50% sobre exportações de produtos do Brasil para os EUA. Diferentemente de medidas semelhantes contra outros países, a decisão não foi motivada apenas por fatores econômicos, e teve um plano de fundo político que envolve Bolsonaro.

“A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato — inclusive pelos Estados Unidos — é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!”, escreveu Trump na carta que anunciou a tarifa contra o Brasil.

As falas de Trump sobre o julgamento de Bolsonaro, vistas como uma clara tentativa de interferência no judiciário brasileiro, provocaram a convocação do encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, pelo governo brasileiro para dar explicações.

Mesmo com a decisão, que pode afetar diretamente a economia brasileira, Bolsonaro alegou que o “alerta foi dado” e pediu que os Poderes do Brasil agissem com “urgência” no sentido de atender as demandas de Trump.

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Carta de Trump a Lula

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Carta de Trump a Lula

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Presidente dos EUA, Donald Trump

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Trump defende Bolsonaro e Lula reage

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Trump e Jair Bolsonaro

Chris Kleponis-Pool/Getty Images

11 de julho

Ao falar pela primeira vez sobre a medida contra o Brasil, Trump voltou a defender Bolsonaro, a quem chamou de “muito honesto” e que “ama o povo brasileiro”.

Questionado sobre uma possível conversa com o presidente Lula, com o objetivo de negociar a situação, o líder norte-americano afirmou que tal reunião teria chances de acontecer, mas não naquele momento.

12 de julho

Em meio a articulações com autoridades e empresários do Brasil, o governo Federal lançou uma campanha publicitária em resposta a medida de Trump.

Sob o lema “Brasil soberano”, a ação do governo Lula criticou a decisão norte-americana, e afirmou que um “país soberano não baixa a cabeça para outros países”.

13 de julho

Bolsonaro admitiu, pela primeira vez, que a medida de Trump em seu apoio poderia causar impactos negativos ao Brasil. No entanto, o ex-presidente, inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico, disse que a solução para a crise estava nas mãos das autoridades brasileiras. Na ocasião, ele voltou a insistir em uma anistia ampla aos participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2022 – que também o beneficiaria.

14 de julho

Cinco dias após o anúncio da medida econômica com fundo político, o governo dos EUA voltou a ameaçar o Brasil, por meio da chancelaria do país, em comunicado divulgado no X pelo subsecretário do Departamento de Estados norte-americano, Darren Beattie.

Na mensagem, o funcionário da diplomacia norte-americana afirmou que Trump impôs uma retaliação “há muito esperada” contra o Brasil, motivada pelas ações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, Beattie afirmou que os EUA observavam “atentamente” o Brasil.

Como resposta, o presidente Lula regulamentou a Lei da Reciprocidade, que abre margens para o governo federal adotar ações comerciais em resposta a decisões unilaterais contra o Brasil, como a tarifa de 50% de Trump.

15 de julho

Com base na Seção 301 da Lei Comercial dos EUA, o governo Trump iniciou uma investigação contra o Brasil.

Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), a ação busca investigar supostas práticas comerciais desleais do Brasil em relação ao país. Na investigação, o governo norte-americano citou o Pix e a 25 de Março como exemplos de práticas que estariam prejudicando a economia dos EUA.

17 de julho

Após inúmeras falas em defesa de Bolsonaro, Trump enviou uma carta direta para o ex-presidente brasileiro.

Na correspondência, encaminhada por meio da rede social Truth, o líder norte-americano se disse “preocupado com os ataques à liberdade de expressão” no Brasil vindos do atual governo, e classificou Bolsonaro como vítima de um “sistema injusto”.

imagem colorida de Donald Trump envia carta para Jair Bolsonaro, e exalta o ex-presidente do BrasilDonald Trump envia carta para Jair Bolsonaro

Horas depois, Lula fez um pronunciamento em rede nacional, onde apresentou as ações do governo federal para contornar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, e classificou a medida de Trump como uma “chantagem inaceitável”.

18 de julho

Como vinha argumentando há alguns dias, Alexandre de Moraes apontou a aproximação entre Trump e Bolsonaro como uma tentativa de interferência no sistema judiciário brasileiro.

Por isso, o ministro do STF autorizou uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) contra o ex-presidente.

Além disso, Moraes determinou medidas cautelares contra o ex-presidente, sob a alegação de que Bolsonaro poderia fugir do Brasil para escapar da Justiça. Entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica e proibições, como o uso de redes sociais e contatos com embaixadas e seu filho, Eduardo Bolsonaro.

Em resposta, o governo dos EUA determinou a suspensão de vistos de Moraes, de aliados do STF e familiares próximos de todos eles.