
O Acre encerrou o ano de 2025 sem registro de assassinatos de pessoas trans, de acordo com dados do Dossiê: Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras em 2025, divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) na última segunda-feira (26). O levantamento, considerado uma das principais referências nacionais no monitoramento da violência contra a população trans, aponta que o estado está entre as unidades da federação que não tiveram casos confirmados desse tipo de crime no período analisado.
O resultado ganha destaque diante do cenário nacional, ainda marcado por elevados índices de violência transfóbica. Embora o dossiê aponte uma redução no número de assassinatos de pessoas trans no Brasil ao longo de 2025, o país continua liderando rankings internacionais de mortes violentas contra essa população, especialmente entre travestis e mulheres trans. Nesse contexto, a ausência de registros no Acre chama atenção.
Entidades e especialistas em direitos humanos, no entanto, fazem um alerta. Segundo a própria ANTRA, dados positivos como esse não devem ser analisados de forma isolada, já que a falta de registros em determinados estados pode estar relacionada à subnotificação dos casos, à menor cobertura da mídia e às dificuldades de monitoramento independente, sobretudo em regiões com menor visibilidade nacional.
Apesar das ressalvas, o dado abre espaço para debates sobre a efetividade de políticas públicas, a atuação de redes de apoio e as estratégias locais de proteção à população trans. A ANTRA reforça que o enfrentamento à violência exige ações permanentes e estruturais, que envolvam segurança pública, acesso à educação, saúde integral, oportunidades no mercado de trabalho e a garantia do direito à identidade de gênero. A entidade destaca ainda que a ausência de assassinatos não significa, necessariamente, o fim da transfobia estrutural.






