A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Estado do Acre (COOPERACRE) oficializaram nesta sexta-feira (3) o início da construção da primeira indústria de beneficiamento de café de Acrelândia. A assinatura da Ordem de Serviço, realizada em Rio Branco, formaliza a execução física de um plano estratégico voltado à verticalização da cadeia produtiva local, com o objetivo de agregar valor ao grão amazônico e fortalecer a economia regional.
O investimento integra um aporte total de R$ 14,7 milhões, resultado do convênio firmado entre as duas instituições. O projeto busca replicar no Baixo Acre o modelo de sucesso já consolidado no Vale do Juruá. A implantação do complexo industrial em Acrelândia, que também atenderá produtores dos municípios de Rio Branco, Plácido de Castro e Senador Guiomard, forma novos polos de processamento que devem beneficiar diretamente cerca de 400 famílias produtoras no estado.
Verticalização e valor agregado:
A iniciativa tem como foco a industrialização do café robusta amazônico, permitindo que os produtores locais não apenas cultivem, mas também processem e agreguem valor ao grão. A construção da indústria movimenta toda uma cadeia produtiva, desde a construção civil até o setor de máquinas e equipamentos de ponta.
“A construção desta unidade em Acrelândia materializa os propósitos da Nova Indústria Brasil, que busca fortalecer as cadeias agroindustriais com inovação e sustentabilidade. Essa obra movimenta a economia local desde a construção civil até o setor de máquinas e equipamentos e garante um futuro com mais competitividade, agregação de valor e geração de renda sustentável para a comunidade”, afirmou o gerente da Unidade de Fomento às Estratégias ASG da ABDI, Rogério Dias.

Com aporte financeiro majoritário da ABDI e contrapartida da COOPERACRE, o projeto reforça um modelo de desenvolvimento que alia produção, geração de renda e preservação ambiental. O cultivo do café robusta na região também se destaca pelo potencial de sequestro de carbono, oferecendo uma alternativa econômica sustentável que contribui diretamente para a conservação da floresta.
“Esse projeto fortalece a nossa rede agrícola. Levar essa infraestrutura industrial para a Acrelândia é um investimento que atende quem mais precisa, transforma a realidade dos nossos municípios e valoriza o produtor que trabalha diariamente na ponta”, afirmou o superintendente da COOPERACRE, Manoel Monteiro.
A instalação da nova indústria em Acrelândia deve reduzir drasticamente os custos logísticos e ampliar a margem de lucro dos agricultores de toda a região, que passarão a contar com tecnologia de ponta para o beneficiamento do café perto de suas propriedades, sem precisar de grandes deslocamentos.
A parceria direta com a Cooperativa Agroextrativista Nova Bonal (Cooperbonal), que hoje reúne mais de 150 cooperados, garante que os benefícios econômicos permaneçam e circulem na base produtiva. Para as pequenas famílias que vivem nos assentamentos, a estrutura industrial representa o fim da dependência de atravessadores e da insegurança comercial.
Atualmente, além de venderem a produção in natura (medida na lata) por valores muito abaixo do mercado, há casos de agricultores que entregaram a safra aos intermediários e não receberam o pagamento. A nova indústria chega para erradicar esses problemas.

“A grande maioria dos nossos produtores está nos assentamentos e não tem estrutura para beneficiar o café. Muitos acabam vendendo a produção por lata, direto do caminhão, por um preço muito baixo. Com essa indústria, vamos mudar essa realidade: a cooperativa vai receber o grão, beneficiar e preparar para a venda com muito mais qualidade”, destacou o presidente da Cooperbonal, Raimundo Macedo.
“Além disso, a parceria com a COOPERACRE, que construirá um grande galpão, vai nos permitir armazenar o café. Isso dará ao produtor a opção de esperar o melhor momento do mercado para vender, agregando valor à nossa produção e garantindo mais renda para as famílias”, acrescentou.
Com beneficiamento, armazenamento adequado e melhores condições de comercialização, a expectativa é de um salto no desenvolvimento da cafeicultura regional. A meta da cooperativa é triplicar a produção de café na região até o próximo ano. A previsão é que as obras sejam concluídas em aproximadamente seis meses.
Por Redação



