10 de julho de 2026

Opinião: Segunda fase de “Quem Ama Cuida” transforma novela em obra-prima do horário nobre

Opinião: Segunda fase de “Quem Ama Cuida” transforma novela em obra-prima do horário nobre
Opinião: Segunda fase de “Quem Ama Cuida” transforma novela em obra-prima do horário nobre

Há novelas que melhoram com o tempo. E há aquelas que encontram, em determinado momento, a sua melhor versão. É exatamente isso que está acontecendo com “Quem Ama Cuida”.

A segunda fase da trama elevou o nível da novela e entregou uma sequência de capítulos que dificilmente passa despercebida por quem gosta de dramaturgia. Desde a saída de Adriana (Leticia Colin) da prisão até o confronto com Pilar (Isabel Teixeira), tudo foi construído com delicadeza, ritmo e emoção. Mas foi o reencontro entre Adriana e Pedro (Chay Suede), exibido no capítulo desta quinta-feira (9), que mostrou o tamanho da qualidade da produção.

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A cena, na teoria, era simples. Dois personagens que se reencontram depois de anos separados pela dor, pelas mentiras e pelas escolhas da vida. Poderia ser apenas mais um reencontro de novela, mas não foi. Foi um momento de absoluta entrega dos atores.

Leticia Colin e Chay Suede construíram a sequência muito mais nos olhares, nos silêncios e na dificuldade de encontrar as palavras do que em grandes discursos. O texto já era forte, mas ambos conseguiram dar uma dimensão humana aos personagens que faz o público acreditar em cada sentimento.

Boa atuação, porém, nunca acontece sozinha. Existe um trabalho de direção que potencializa tudo isso. E Amora Mautner merece muitos aplausos.

A direção encontrou o tom exato da cena, sem exageros, sem apelar para o melodrama fácil. A câmera parecia respeitar a dor daqueles personagens, permitindo que o espectador participasse daquele reencontro quase como um observador silencioso. A fotografia, impecável, transformou o abrigo em um espaço de acolhimento e esperança, enquanto a trilha sonora entrou no momento certo, sem disputar atenção com os atores, apenas ampliando a emoção que já estava ali.

É o tipo de sequência em que todos os departamentos trabalham em perfeita sintonia: texto, direção, fotografia, montagem, trilha e interpretação. O resultado é uma cena que emociona justamente porque não tenta emocionar à força.

Depois de uma primeira fase já bastante consistente, “Quem Ama Cuida” parece ter encontrado um novo fôlego. A novela amadureceu junto com seus personagens e passou a confiar ainda mais na força dos sentimentos e nas relações humanas, sem abrir mão do suspense que move sua história principal.

Quando a televisão consegue reunir um texto consistente, atores inspirados e uma direção que entende exatamente a história que quer contar, o resultado deixa de ser apenas entretenimento e vira arte. E, hoje, “Quem Ama Cuida” está entregando exatamente isso no horário das nove.