15 de julho de 2026

Escritório de Nelson Wilians é alvo de operação que investiga suposta fraude de R$ 3,8 bilhões

Escritório de Nelson Wilians é alvo de operação que investiga suposta fraude de R$ 3,8 bilhões

Escritório de Nelson Wilians é alvo de operação que investiga suposta fraude de R$ 3,8 bilhões

Também está entre os alvos a advogada Anne Wilians, esposa e sócia de Nelson

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Operação do governo de SP mira esquema que teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributários (Foto: Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP)

Uma força-tarefa do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) deflagrou, nesta quarta-feira (15/7), a Operação Distrato para investigar um grupo suspeito de criar e comercializar créditos tributários fraudulentos de ICMS. Segundo as autoridades, o esquema teria provocado um prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos estaduais. Entre os investigados está um núcleo vinculado ao grupo econômico do advogado Nelson Wilians.

O escritório de Nelson Wilians foi alvo de mandados de busca e apreensão. Também figura entre os alvos a advogada Anne Wilians, esposa e sócia de Nelson. Em Londrina (PR), a advogada Mayra de Paula também é investigada por suposta participação no esquema. De acordo com as apurações, ela seria apontada como “sócia” de Wilians nas fraudes.

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Operação do governo de SP mira esquema que teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributáriosFoto: Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP O advogado Nelson Wilians durante Operação Distrato, que faz buscas em seu escritórioFoto: Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP Operação do governo de SP mira esquema que teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributáriosFoto: Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP Nelson WiliansFoto: Divulgação

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Em nota enviada ao portal LeoDias, a assessoria do advogado Nelson Wilians informou: “O escritório recebeu o cumprimento da medida de busca e apreensão com serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo, mantendo-se à disposição das autoridades competentes e atuando de forma proativa para o completo esclarecimento dos fatos”.

A ofensiva mobiliza integrantes do Ministério Público, auditores da Secretaria da Fazenda, procuradores do Estado e equipes das polícias Civil e Militar.

“Cada real desse número é um ilícito identificado, interrompido ou desestimulado. Constituir o crédito é o começo do devido processo, não dinheiro em caixa: quem quiser regularizar tem porta aberta, inclusive pelo Resolve Já; quem quiser discutir terá todas as garantias. O que não haverá é vantagem para quem frauda”, afirmou, em nota, o secretário da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita.

Ao todo, estão sendo cumpridos 38 mandados de busca e apreensão autorizados pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. As diligências ocorrem nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina (PR) e Cambé (PR). A operação não prevê o cumprimento de mandados de prisão.

Como o grupo teria atuado

Conforme a investigação, a organização utilizava empresas sem atividade econômica efetiva, inativas ou constituídas apenas para dar aparência de legalidade às operações. Essas companhias seriam responsáveis por emitir documentos fiscais destinados a criar créditos de ICMS inexistentes, posteriormente aproveitados por empresas clientes para reduzir o valor de impostos devidos.

As apurações apontam que os investigados ofereciam esses supostos créditos tributários principalmente a pequenas e médias empresas. No entanto, os créditos não tinham validade legal. Quando os compradores eram autuados pelo Fisco, o grupo apresentava documentos e registros eletrônicos que simulavam a quitação das multas, embora os pagamentos jamais tivessem ocorrido.

Ainda segundo os investigadores, os responsáveis buscavam transmitir credibilidade aos clientes ostentando um elevado padrão de vida. Um dos advogados envolvidos, por exemplo, compareceria às reuniões utilizando helicópteros e veículos importados.

O ICMS é um imposto estadual cobrado sobre a circulação de mercadorias, além da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. Trata-se da principal fonte de arrecadação dos estados brasileiros.

As investigações também identificaram a participação de escritórios de advocacia, empresas de consultoria e intermediadores, que seriam responsáveis por captar clientes, elaborar contratos e produzir pareceres jurídicos utilizados para tentar justificar as operações perante os órgãos fiscais.

Além do grupo ligado a Nelson Wilians, a investigação também alcança integrantes dos grupos Alpha e Dmc. Para dar aparência de legitimidade aos créditos negociados, os suspeitos alegavam que eles teriam origem em direitos relacionados a massas falidas ou em antigas decisões judiciais envolvendo desapropriações.

Segundo o CIRA/SP, diversas estratégias eram empregadas para conferir uma falsa legalidade às operações. Entre elas estariam a utilização indevida de normas administrativas e de decisões judiciais ainda sem trânsito em julgado, a apresentação de despachos supostamente falsificados atribuídos a auditores fiscais, a comercialização de créditos sem qualquer vínculo real com o ICMS e associados a empresas sem atividade econômica, além da formalização de negócios por meio de contratos simulados de cessão ou gerenciamento.

Durante as apurações, o comitê instaurou 874 Ordens de Serviço Fiscal para examinar aproximadamente 9.960 lançamentos considerados suspeitos, envolvendo mais de 850 empresas. Segundo o órgão, a investigação busca diferenciar empresários que participaram conscientemente das irregularidades daqueles que possam ter adquirido os créditos acreditando na legalidade da operação.

A Secretaria da Fazenda e Planejamento informou ainda que as fiscalizações já resultaram na lavratura de autos de infração contra 752 empresas.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Karol Gomes.