15 de julho de 2026

Especialista explica rivalidade entre Brasil x Argentina que domina web

Especialista explica rivalidade entre Brasil x Argentina que domina web
Foto gerada pelo Gemini

Basta a Argentina entrar em campo para um fenômeno se repetir nas redes sociais: milhares de brasileiros passam a torcer por qualquer adversário dos “hermanos”, mesmo depois da eliminação da Seleção na Copa do Mundo de 2026. Mas, afinal, por que tanta gente no Brasil insiste em secar os argentinos?

Especialista ouvidos pelo Metrópoles explicam que a rivalidade vai muito além do futebol — embora o momento vivido pela seleção de Lionel Messi tenha reacendido a disputa.

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“A Argentina ficou muito tempo sem ganhar nada na seleção principal. Então o torcedor brasileiro passou um período sem ter muito com o que se incomodar. Mas aí ganhou a Copa América em 2021, depois a Copa do Mundo em 2022, outra Copa América e agora está na semifinal da Copa. Esse novo período do futebol argentino vencedor é que está incomodando setores da torcida brasileira”, afirma.

Argentina na reta final da Copa do Mundo

  • A Argentina enfrenta a Inglaterra pelas quartas de final da Copa do Mundo 2026 nesta quarta-feira (15/7).
  • Caso vença a disputa, a Argentina irá enfrentar a Espanha no próximo domingo (19/7).
  • A Argentina atualmente detém três taças da Copa do Mundo. A primeira em casa, em 1978; a 2ª no México, em 1986 (há exatamente 40 anos); e a 3ª no Catar, em 2022.

Uma rivalidade muito mais antiga que o futebol

A disputa entre Brasil e Argentina não começou dentro das quatro linhas. Desde a formação dos dois países, eles disputaram espaço e influência na América do Sul. Um dos episódios mais marcantes aconteceu na Guerra da Cisplatina (1825–1828), quando Império do Brasil e Províncias Unidas do Rio da Prata entraram em conflito pelo controle da região que hoje corresponde ao Uruguai.

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Walter Zenga da Itália na Copa de 1990

Mark Leech/Offside/Getty Images2 de 9Richard Sellers/Sportsphoto/Allstar via Getty Images3 de 94 de 9Alamy Live News / Charlie Riedel5 de 9

Turma da Mônica declara torcida contra a Argentina na Copa do Mundo 2026

Reprodução6 de 9Tullio Puglia – FIFA/FIFA via Getty Images7 de 9Kevin C. Cox/Getty Images8 de 9Steph Chambers – FIFA/FIFA via Getty Images9 de 9Michael Reaves/Getty Images

Segundo Iuri Cavlak, durante boa parte do século XIX e início do XX, a rivalidade era principalmente política e econômica. Com o passar do tempo, porém, essas disputas perderam força.

“Hoje essa competição militar e econômica já não é tão forte. Mas a rivalidade no futebol não diminuiu. São dois países vizinhos que têm o futebol como principal esporte e paixão nacional, além de terem produzido alguns dos maiores jogadores da história.”

O futebol transformou a disputa em paixão

Se a rivalidade nasceu fora dos gramados, foi o futebol que a transformou em um dos confrontos mais emblemáticos do esporte.

Um dos primeiros capítulos aconteceu em 1946, na final do Campeonato Sul-Americano. A partida terminou em confusão depois que o capitão argentino José Salomón sofreu uma fratura exposta em uma dividida com Jair Rosa Pinto.

Torcedores invadiram o gramado, houve briga generalizada e os brasileiros chegaram a temer voltar para o segundo tempo. A Argentina venceu por 2 a 0, e o episódio esfriou as relações entre as seleções por cerca de uma década.

Anos depois, outro ingrediente ajudou a alimentar a disputa: a eterna comparação entre Pelé e Diego Maradona.

Enquanto Pelé conduziu o Brasil aos títulos mundiais de 1958, 1962 e 1970, Maradona virou o maior símbolo da Argentina ao conquistar a Copa de 1986 e marcar, diante da Inglaterra, o famoso “Gol do Século”, eleito pela Fifa como o mais bonito da história das Copas em votação popular realizada em 2002.

Já em 1990, outro episódio virou parte do folclore do clássico. Nas oitavas de final da Copa do Mundo, o lateral Branco afirmou ter passado mal após beber água oferecida por integrantes da comissão técnica argentina. Anos depois, Maradona declarou em um programa de TV que a garrafa continha um sedativo. A versão, porém, nunca foi comprovada e segue cercada de controvérsias.

Messi e a sequência de títulos reacenderam a rivalidade

Depois da aposentadoria de Maradona, o Brasil viveu um período de maior protagonismo, conquistando a Copa do Mundo de 1994 e o pentacampeonato em 2002.

A Argentina, por outro lado, passou décadas batendo na trave. O cenário mudou nos últimos anos com Lionel Messi. Desde 2021, a seleção conquistou duas Copas Américas, a Copa do Mundo de 2022 e agora tenta chegar a mais uma decisão do Mundial.

Para Iuri Cavlak, essa sequência explica por que tantos brasileiros continuam torcendo contra os argentinos.

“Na última década, a Argentina voltou a ganhar títulos e a seleção principal ficou ainda mais credibilizada com Lionel Messi. Isso ajuda a explicar tanto incômodo da torcida brasileira.”


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Adriana Arcoverde.