Acre lidera ranking de pobreza no Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua 2024), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que 46,2% da população acreana vive em situação de pobreza, colocando o estado entre os mais vulneráveis do país.
Os números reforçam um cenário econômico que já vinha sendo apontado desde a pandemia da Covid-19. Em 2020, aproximadamente 350 mil acreanos solicitaram o auxílio emergencial, dos quais cerca de 330 mil tiveram o benefício aprovado, o equivalente a quase 38% da população do estado na época.
Na avaliação apresentada sobre os dados, o percentual atual pode indicar que mais da metade da população acreana enfrenta algum grau de vulnerabilidade social, considerando comunidades de difícil acesso e famílias que não aparecem integralmente nas estatísticas oficiais.
Atualmente, o Acre possui uma população estimada em 884 mil habitantes. Desse total, aproximadamente 127 mil famílias recebem benefícios sociais do Governo Federal, enquanto o estado conta com cerca de 85 mil trabalhadores com carteira assinada, sendo 55 mil servidores públicos.
Os números evidenciam uma economia fortemente sustentada pelo setor público e pelos programas de transferência de renda, enquanto o mercado privado ainda apresenta baixa capacidade de absorção de mão de obra.
Economia perdeu força nas últimas décadas
O Acre já figurou entre as economias mais relevantes proporcionalmente durante o período em que ainda era território federal. Entretanto, nas últimas décadas, o crescimento econômico perdeu ritmo e o estado passou a enfrentar dificuldades para ampliar sua base produtiva.
Enquanto isso, estados vizinhos como Amapá, impulsionado pela exploração de petróleo, e Roraima, beneficiado por projetos ligados ao gás natural, devem registrar crescimento econômico nos próximos anos, ampliando a distância em relação ao Acre.
Dependência preocupa especialistas
Especialistas defendem que a redução da pobreza passa pela geração de empregos, fortalecimento da iniciativa privada, investimentos em infraestrutura, incentivo ao setor produtivo e ampliação das oportunidades de qualificação profissional.
Sem essas medidas, o estado tende a manter elevados índices de dependência dos programas sociais e dificuldades para reduzir a desigualdade econômica.
Os dados da PNAD reforçam que o combate à pobreza permanece como um dos maiores desafios para o desenvolvimento do Acre.





